Tanto as peças centrais, as lembranças para os convidados, as bebidas, o vestido de noiva que tanto me incomodavam, porque mamãe não me deixava escolher um do meu agrado, era sempre a opinião dela que era levada em conta, quando ela me perguntava se eu queria uma rosa para branco ou vermelho, ela optava por tulipas e outras pratas mais do que eu não tinha ideia de seus nomes.
Tudo foi escolhido pela mamãe, o pai do Gabriel só podia pagar por seus caprichos estúpidos sob o pretexto de que eu seria sua nora e eles queriam o melhor para mim.
A verdade é que a mãe do Gabriel, dona Karina, era uma mulher muito gentil, tinha me contado um pouco da história de amor dela, tinha conhecido o Sr. Smith há 27 anos em uma viagem aos Estados Unidos, ele tinha ficado tão fascinado pelas belezas dela que a seguiu para a Venezuela, pouco depois de se casar, Eles constituíram família e tiveram apenas um filho. Gabriel foi um milagre para eles, porque dona Karina não conseguia engravidar.
"Ele era tão pequeno, era a coisinha mais fofa e bonita, todo mundo no hospital queria abraçá-lo, por isso eu tinha medo" Seu olhar demonstrava amor e admiração pelo filho — eu tinha medo que o roubassem, por isso eu disse ao pai dele que queria receber alta, você sabe por que era um país diferente do meu e eu não queria que alguém machucasse o Gabriel por causa do racismo.
Naquela tarde passei ouvindo a mãe dele falar tanto do Gabriel que ela já me conhecia há boa parte da infância dele, mas dona Karina me tratava com tanto carinho que me fez querer passar um tempo com ela.
Na manhã do dia do casamento, infelizmente para minha mãe, tinha chovido muito, pediram umas contas de barraca que colocaram no jardim da casa, onde seria realizado o banquete e colocaram algumas mesas, uma pequena pista de dança e uma orquestra contratada pelo próprio Gabriel.
Gabriel, ele estava um pouco perdido, eu só o via nas pequenas reuniões onde pediam a opinião dos dois para algo relacionado ao casamento, ele tinha sido sério e em muitas ocasiões ele se recusava a me levar para casa ou me dar uma carona para qualquer lugar, eu me sentia tensa e um pouco preocupada.
O barulho da porta me tirou dos pensamentos e vi mamãe entrar, em suas mãos ela carregava uma pequena bolsa de veludo.
"Ana, hoje você é muito bonita", ela parou na minha frente levando minhas mãos na dela, "parece que ontem eu te segurei em meus braços como um bebê chorando por comida", Uma lágrima correu por sua bochecha e sua voz quebrou.
"Mãe, eu...
"Quando você é casada com o Gabriel, você vai entender por que os pais fazem algumas coisas que são ruins aos olhos dos filhos", tremeu Suas mãos, "Ana, você tem que me perdoar um dia por tudo isso, eu só não queria que outra pessoa levasse minha filha".
"Mãe, estamos a tempo de mudar as coisas com o papai, estamos a tempo de impedir esse casamento", minha voz foi interrompida por um pequeno soluço.
"Não, me escute bem Ana, você vai se casar hoje e vai ser feliz com seu marido", as mãos da mamãe me agarraram com muita força dos ombros da pequena bolsa, eu puxo um colar azul — No dia do nosso casamento temos que usar algo azul e algo usado, isso pertence à sua avó, ela me deu quando eu casei com seu pai e agora eu dou para você.
Era um colar muito bonito, um triângulo dourado com um diamante embutido no meio, sob a luz dava um toque de rosa.
"Obrigada", foram minhas palavras para a mamãe.
Coloquei meu colar, mas primeiro tirei o que estava usando e quando me olhei no espelho não me reconheci, essa era a nova Anne que entraria na igreja e se casaria.
Mas ele tinha me prometido fazer, seriam apenas 2 anos, o Gabriel tinha me prometido e eu queria acreditar nele.
"Ana...
Virei-me quando ouvi a voz da mamãe.
"Se não fosse o Gabriel, ia ser outra pessoa..." É algo que seu pai já tinha decidido.
Então ele saiu do quarto deixando esse golpe surpresa para mim, papai tinha decidido se casar há muito tempo, isso significa que sempre estava em sua mente me vender para salvar a empresa.
Levei uns 20 minutos para me acalmar e voltar à compostura quando bateu na porta, era a Liz que era a organizadora do casamento, era hora da cerimônia.
Quando eu saí para o corredor estava cheio de meninas que eu não conhecia com vestido de madrinhas muito bonito e mesmo assim, só uma me chamou a atenção, entrei tantas meninas e foi a Natália que tentou não chorar quando me viu.
"Nati, não chore", fui dar um abraço nela
— Oh minha Ana, você é muito bonita, você é uma princesa — Quando o abraço quebrou Natália me deu seu melhor sorriso — Esse seu namorado é muito bonito, se você não quer ele você me dá tudo bem.
Um pigarro vindo da Liz nos fez rir, ela era tão teimosa quanto meu pai.
"Está na hora, cada um para seus postos."
A Natália voltou para a casa dela em fila e eu me coloquei no meu lugar, tinha pedido para minha mãe ir me dar ao altar, eu não queria vê-lo e o André tinha se recusado a participar desse circo, ele tinha saído de casa e a gente não sabia onde ele estava.
Meu coração começou a disparar como louco e minhas mãos estavam suando, no final do salão estava aquele homem bonito em seu smoking preto, tão esculpido em seu corpo, deus Gabriel era tão bonito que podia enlouquecer qualquer mulher.
Quando cheguei ao lado dele, ele me deu um sorriso lindo, ele estava tão sério e distante há dias que eu pensei que ele seria assim para sempre ou que ele tinha fingido ser amigo de mim, mas esse era o Gabriel que tinha falado comigo depois do jantar.
"Você é linda, Ana", sua voz era um sussurro que fazia minha pele rastejar
"Você é muito bonito Gabriel", minha voz também saiu em um sussurro nervoso
Pai Deus começou o casamento, nós dissemos nossos votos, que foram escritos para nós, porque nenhuma das palavras são ditas nós realmente sentimos, mas era algo que eu tinha me recusado a escrever e Gabriel segundo minha mãe também tinha feito, embora ele tivesse dito que era algo ridículo, colocamos nossos anéis e depois o pai nos abençoou
"Eu declaro que você marido e mulher podem beijar a noiva
Olhei para Gabriel nervosa, mas ele parecia contente e feliz, sorriu bastante e aproximou seu rosto do meu, senti seus lábios nos meus, foi um toque tão rápido que m*l senti, quando o vi se afastar de mim e depois me abraçar
"Sra. Smith, bem-vinda à família.
Ela só consegue sorrir, enquanto mordia meu lábio inferior não tinha palavras para dizer, só sabia que estava insatisfeita com aquele beijo e queria mais.
Acho que estava enlouquecendo.