3 - Duelo na Rodovia
O
pai de Tess, general Turner, adorava o pequeno Morgan e persuadiu Tess e Jake a deixarem-no ficar com o neto a cada dois fins de semana. Os pais geralmente o deixavam no apartamento de Manhattan de seu avô às sextas-feiras e iam para a fazenda de Jake, em Sleepy Hollow, para relaxar por alguns dias. Eles pegavam o pequeno pacote de alegria nas noites de domingo e passavam a semana em Manhattan cuidando de seus negócios.
Desta vez, seu pai conseguiu manter o pequeno Morgan por uma semana. Tess e Jake precisavam de mais tempo. Depois de deixar a criança nos braços do vovô, entraram no Land Rover de Jake e dirigiram-se para a fazenda.
Um homem os observava de um café do outro lado da rua e ligou para alguém no celular assim que saíram.
Enquanto dirigia na estrada, Jake notou um SUV GMC Yukon preto seguindo-os. O carro mantinha a distância, mas era óbvio que o motorista estava igualando a velocidade do Land Rover de Jake. Treinado pela CIA, Jake suspeitou que algo não estava certo. Enquanto faziam um pit stop em uma instalação na beira da estrada, um segundo SUV Suburban preto se juntou-se ao Yukon e estacionou na periferia do restaurante.
Jake compartilhou suas suspeitas sobre os dois veículos, mas Tess sugeriu que suas antigas aventuras na CIA às vezes encorajavam a paranóia.
– Espero que você esteja certa – respondeu Jake. Sem mais delongas, retomaram a viagem para o norte.
Assim que voltaram para a rodovia, passaram por um trecho deserto da estrada com margens íngremes dos dois lados. O Yukon os seguiu e agora acelerou, diminuindo a distância entre eles e atingindo o Land Rover de Jake no canto traseiro esquerdo. O motorista estava tentando tirar o veículo da estrada. Jake, um motorista experiente, conseguiu controlar seu veículo pesado e invocou seu treinamento da CIA. Deu uma guinada repentina, impedindo que o outro motorista o atingisse novamente. De alguma forma, conseguiu evitar que o carro pesado capotasse. A manobra foi executada de forma tão abrupta que o motorista do Yukon continuou avançando. Jake, em seguida, girou o Land Rover, queimou muita borracha, acelerou e posicionou-se atrás do Yukon. O motorista não teve tempo de reconhecer o que estava acontecendo. Jake acelerou em direção à traseira do SUV. O motorista à sua frente finalmente viu o que Jake estava tentando fazer e acelerou, agora tentando fugir do Land Rover atrás dele. Jake se aproximou e tocou o Yukon no pára-choque traseiro, da mesma forma que o motorista do SUV já havia tentado tirá-lo da estrada. Jake foi mais preciso e mandou o Yukon pela encosta íngreme. O motorista não conseguiu controlar o carro, virou, bateu em uma árvore e o veículo explodiu.
Jake e Tess pararam e correram para o carro queimando, mas as chamas eram muito intensas. Percebendo que não havia muito que pudessem fazer, voltaram para o Land Rover e fugiram. O outro veículo, um grande Suburban, passou correndo por eles, mas fez meia-volta e agora apontou para eles.
– Isso é loucura! – exclamou Jake. – Essas caras são suicidas.
– Ele está vindo direto para nós – gritou Tess.
– Eu sei. Segure-se, Tess.
Os veículos estavam em rota de colisão frontal. O grande Suburban estava correndo direto para eles, seu motorista aparentemente não se importando com o destino iminente. Jake calculou em sua mente o que ele poderia fazer para evitar a colisão. Avançou em direção ao veículo adversário em alta velocidade, virou o pesado Land Rover no último minuto, raspando o SUV atacante de lado, forçando o motorista a perder o controle. O Suburban balançou com o impacto e inclinou-se para o guard-rail, esfregando metal com um ruído medonho. Jake recuou e parou atrás do veículo danificado. Ele queria colocar as mãos no motorista para obter algumas respostas. Ao se aproximar do carro, viu que o motorista estava ferido. Ele tentou abrir a porta deformada assim que o motorista se recuperou do choque, mas não conseguiu afrouxar as portas do SUV. Ele voltou ao Land Rover para pegar um pé de c***a e então ouviu um tiro. O motorista se matara.
– Quem faria isso? Por que eles queriam nos matar? – indagou Tess.
Jake segurou-a nos braços e chegou à única conclusão lógica.
– Tess, isso cheira a algo que Amir faria.
– Como Amir pode fazer com que duas pessoas cometam suicídio apenas para nos matar?
– Você consegue pensar em mais alguém que possa fazer isso? Ele recrutou fanáticos para tentar encenar um acidente fatal. Eles estavam dispostos a morrer por ele.
Tess olhou para o espaço, horrorizada.
– Ele fará qualquer coisa para conseguir o pequeno Morgan. Vou ligar para o meu pai.
Ela pegou o celular e teclou. O general respondeu no segundo toque.
– Papai, está tudo bem aí? O pequeno Morgan está com você?
– Ele está no parque com sua babá, a Carol.
– Papai, peça ajuda imediatamente. Nós achamos que o Amir tentou nos matar usando dois carros grandes. É provável que ele vá atrás do bebê.
– Não se preocupe, Tess. Vou botar meu pessoal de segurança lá em alguns minutos. Estou feliz que você e Jake estejam bem. Por favor, mantenha-me informado sobre o que está acontecendo.
Alguns minutos depois, o pai de Tess ligou de volta.
– Tess, alguém agrediu a Carol no parque e levou o bebê!
Tess congelou.
– Jake, acho que o pessoal de Amir raptou o pequeno Morgan.
De repente, outro SUV apareceu e foi direto para eles. Jake e Tess estavam de pé ao lado da estrada e perceberam que o motorista tentaria atropelá-los. Ele esperou até o último minuto, agarrou Tess pelo braço e pulou do caminho em uma vala íngreme. O carro os perdeu por centímetros.
Jake se virou para Tess e, para seu horror, viu que ela batera a cabeça em uma pedra. Ela estava sangrando e se prostrou no chão, inconsciente.
Dois homens saíram do veículo e vieram atrás deles. Tentaram pular a vala profunda, mas um deles tropeçou e gritou. Ele havia quebrado uma perna. O segundo homem conseguiu se levantar e apontou a arma para Jake, que desta vez estava pronto para ele. Ambos deram um tiro, mas Jake o acertou primeiro. O homem caiu de costas, morto.
Jake se virou para o outro homem, que estava se contorcendo em agonia, um osso saindo pela perna. Quando Jake se aproximou, o homem apontou a arma para a própria cabeça e puxou o gatilho. Sangue e ossos se espalharam. O homem morreu.
A polícia rodoviária chegou. Jake estava tentando reanimar Tess, mas ela não respondia.
– Chame uma ambulância – gritou ele.
Os paramédicos chegaram e rapidamente atenderam a Tess, colocando-a em uma maca. Jake queria ir com eles, mas os policiais o agarraram.
– Senhor, os paramédicos estão levando sua esposa para o hospital, mas o senhor precisa permanecer aqui para que possamos esclarecer as coisas.
– Minha esposa está ferida e eu vou com ela!
– Senhor, precisamos investigar o que aconteceu. Não vai demorar muito.
Mais policiais chegaram, e Jake percebeu que eles não iriam deixá-lo ir até que eles conversassem com ele.
Ele contou o que havia acontecido e prometeu que iria à delegacia de polícia para ajudar na investigação, mas primeiro precisava ver como Tess estava indo. Um dos policiais levou-o ao hospital. Jake correu para a sala de emergência. Uma equipe médica estava trabalhando em Tess, que ainda estava inconsciente e sangrando na cabeça.
Finalmente, um médico veio até Jake.
– Sua esposa tem uma concussão. Vamos precisar fazer uma tomografia da cabeça e possivelmente uma ressonância magnética antes de sabermos mais.
– E o bebê? O bebê está OK?
– Nós ainda não sabemos. Sua esposa tem contusões por todo o corpo. Saberemos se há algum problema em algumas horas.
Jake desabou em uma cadeira, as mãos nos olhos. “Amir, você vai pagar por isso!”
Eles finalmente colocaram Tess em um quarto individual. Monitores e agulhas em seus braços faziam com que ela parecesse um aparelho de som.
Jake ligou para o pai dela e atualizou-o sobre a situação. O general ficou chocado e disse a Jake que a babá do bebê estava no hospital com um braço quebrado. Não havia sinal do bebê. A polícia local e o FBI já estavam no caso. Todos os aeroportos locais foram alertados.
Jake voltou para o quarto de Tess, mas ela não estava em sua cama. Furioso, fora de sua mente com pavor, ele estava pronto para maltratar a enfermeira no comando até que ela lhe disse que Tess havia perdido o bebê. Jake emitiu um grito de agonia.
Por fim, os médicos trouxeram Tess de volta ao quarto. Ela ainda estava inconsciente. O médico mostrou-lhe a ressonância magnética, indicando uma grande poça de sangue presa em seu cérebro.
– Doutor, o que podemos fazer sobre isso? – perguntou ele.
– A decisão será da neurocirurgiã, Sr. Vickers. Ela deverá estar aqui em breve.
Jake, um homem de ação, teve que se controlar. Em sua frustração, ele estava pronto para atacar pessoas que, a seu juízo, não demonstravam urgência.
O pai de Tess chegou e o abraçou.
– Jake, não deixarei pedra sobre pedra até que o hospital faça a coisa certa para Tess. Eu também tenho uma equipe de meus investigadores no caso; eles estão trabalhando com o FBI para encontrar o bebê.
Jake olhou para o general com fúria em seus olhos.
– Tenho certeza de que Amir não está no país e que ele construiu barreiras para garantir que essa bagunça não aponte para ele de forma alguma. Podemos acreditar que ele planejou isso, mas será impossível provar. Isso já foi longe demais. As autoridades serão impotentes. Teremos que lidar com essa situação nós mesmos.
– Concordo plenamente – disse o general.