Capítulo 1-2

1976
Raven era única pessoa para quem Kane contou sobre a traição dos metamórficos, o incriminando e o enterrando vivo. Ele não sabia o motivo de ter contado para Raven… talvez fosse o tédio. Kane soltou o rebelde na cidade. Raven tinha raiva do mundo antes de renascer como um filho da noite e agora Kane deu a ele uma válvula de escape para aquela raiva. Raven tomou para si a vingança em nome de Kane e o vampiro sem alma tirou proveito de suas novas habilidades ao máximo. Ele não se preocupou em tentar convencer Raven a desistir porque isso se encaixava perfeitamente com o plano de arruinar o restante da família de Malachi. Por que ele protegeria os metamórficos de Raven? O máximo que ele fez foi dizer ao garoto que ele não era obrigado a matar humanos para se alimentar, que ele não era obrigado a causar dano algum se ele não quisesse. Não era sua culpa que Raven optou pela morte. A primeira vez que Raven matou foi a única vez que Kane interveio, flagrando o menino antes de deixar o morto deitado com marca de vampiro facilmente à vista dos humanos. Manter a existência de sua espécie em segredo estava latente em sua autopreservação e ele havia esquecido de dividir esse segredo com Raven. Kane então mostrou a ele como cortar as marcas de presas e fazer parecer mais como um assassinato sádico. Raven começou a colocar suas vítimas perto da Moon Dance para as autoridades encontrarem. Era o arranjo perfeito. A maioria dos vampiros eram naturalmente perversos, então Kane passou a maior parte de sua vida como morto-vivo ao alcance de assassinos. Ver o menino matar parecia natural para sua espécie. Se Syn estivesse acordado para presenciar a onda de assassinatos, ele pouparia o mundo do sofrimento, matando Raven ou confinando-o em uma cova. Agora que Kane já tinha experimentado essa punição, ele certamente preferiria escolher uma morta rápida. Antes do banimento, ele era amigo de um outro vampiro, Michael. Eles estavam juntos a mais tempo de que conseguiam ou mesmo queriam lembrar. Os dois foram presentados com a pedra-de-sangue porque os dois mantiveram suas almas… eles e o irmão de Michael, Damon. Michael era um homem bom… ainda do lado dos anjos, como dizem, apesar de ouvir dizer que Damon desenvolveu um lado sombrio e estava descontando em seu irmão. Talvez ele fosse visitar Damon depois de terminar aqui e ensiná-lo boas maneiras. Kane não queria que Michael soubesse da maldade que a cova deixou dentro dele. Ele usou parte de seu tempo observando Michael à distância. Ele sabia que Michael e o filho mais velho do jaguar, Warren, eram amigos… assim como ele e Malachi foram um dia. Metamórficos eram traidores e Michael ainda descobriria esse fato. Ao eliminar os metamórficos de seu caminho, ele faria um último favor ao Michael… pelos velhos tempos. Kane tocou o brinco que abrigava a pedra-de-sangue sabendo que ele sempre o impedia de matar humanos. Se sua alma fosse realmente perversa, então a magia da pedra-de-sangue não funcionaria com ele. Ele frequentemente se perguntava como Malachi poderia ter esquecido disso… a prova de sua inocência estava bem na frente dele. Isso não importava… ele passou trinta anos em sua prisão por algo que ele não cometeu. “A Vingança será um inferno, meus amigos.” ***** “Telemarketing?” Chad perguntou ao tentar esconder a risada, enquanto sua irmã mais nova bateu o telefone forte o suficiente para fazê-lo cair da parede. Ele caiu com um estrondo no chão. Envy chutou o telefone pelo corredor como se estivesse chutando a cabeça de seu namorado antes de se virar para seu irmão. “Vocês são todos cachorros ou só os que saem comigo?” Chad levantou as mãos fingindo que estava se rendendo, “Na minha opinião, as mulheres são tão más quanto. Agora se acalme e conte para o seu irmão o que aconteceu.” Envy colocou sua testa contra a parede fria. Ela se recusou a permitir que uma só lágrima escapasse. Ela não gostava de Trevor o suficiente para chorar por ele e ela estava seriamente ficando cansada de tantos homens que pisavam na bola de uma forma ou de outra. “Jason acabou de me ligar pra me chamar para sair. Ele pensou que eu estava solteira de novo porque ele acabou de encontrar Trevor numa boate nova. Ele estava praticamente transando com outra mulher na pista de dança.” Chad balançou a cabeça. Ele não sentia pena de Trevor desde que sua irmã botou suas mãos nele. “Que tal a gente ir a uma boate?” ele levantou uma sobrancelha, não querendo perder isso por nada. Envy sorriu, gostando da ideia, “Me dá dez minutos para ficar pronta.” Chad concordou, sentou-se no sofá e ligou a televisão para ver o noticiário, apesar de não prestar muita atenção. Ele não queria sua irmã namorando Trevor mesmo. Ele sabia que o cara agia como um Americano, rico, universitário só para tirar uma onda com todo mundo, mas isso não significava que ele gostava que Trevor mentisse para sua irmã sobre quem ele realmente era. Se Trevor fosse dormir com sua irmã, então ela precisava saber a verdade da pessoa com quem ela estava transando. Começar um relacionamento com mentiras não é a melhor forma. Se você for mentir, então você não deveria se envolver com ninguém para começo de conversa. Ele enquadrou Trevor na última vez que o encontrou numa estação e disse ao agente secreto para ou falar a verdade sobre quem ele realmente era ou ficar longe de sua irmã. Não era sua culpa que Trevor não ouvia a ninguém a não ser a si mesmo. Chad ficava nervoso ao pensar que Trevor talvez estivesse usando Envy enquanto ele trabalhava disfarçado nas boates. Como ela era atendente nos bares de várias boates, Trevor tinha a oportunidade de acompanhá-la nos estabelecimentos antes de abrirem e permanecer depois que fechavam. Estar na boate sem multidões permitia que ele investigasse ainda mais, sem que Envy soubesse de nada. Chad recusou o trabalho disfarçado, mesmo que a equipe das Forças Especiais estivesse tentando recrutá-lo já há um tempo. O mais próximo que ele chegou foi ser o preferido deles a ser chamado quando era hora de chutar portas e prender pessoas. E isso estava bom para ele. Ele preferia arrebentar um bandido do que apenas bisbilhotar, conversar e mexer com papel, tentando achar a sujeira de alguém. Por outro lado, o amigo deles Jason seria um melhor namorado para Envy. Ela estudou com Jason na escola, mas isso foi um problema. Jason era apaixonado por ela durante todo o ensino médio e frequentava a casa deles tanto que Envy o via como um irmão, não como um homem. Jason se juntou aos Guardas Florestais da Floresta Nacional de Angeles assim que saiu da escola e desde então está no mesmo emprego. Envy ainda adorava passar tempo com ele. Ela também conseguia ver sua melhor amiga mais vezes, isso porque Tabatha fazia parte da unidade de Jason na Guarda Florestal. Chad se levantou do sofá e ficou esperando do lado de for a da porta do quarto de Envy. Eles dividiam um apartamento há, pelo menos, quatro anos, desde que seus pais morreram num acidente de carro, e eles se davam muito bem. Ele era um policial e ela trabalhava como atendente de bar em diversas boates na cidade. O único motivo para que ele nunca falasse nada para ela ir atrás de um emprego “de verdade” porque na maioria das noites ela ganhava mais dinheiro do que ele. Isso ajudava muito as coisas na hora do aluguel, isso porque Envy frequentemente era quem pagava, enquanto ele bancava o resto. “Qual boate?” ele perguntou pela porta. “Uma nova que se chama Moon Dance”, Envy arrumou parte de seu longo cabelo avermelhado num r**o de cavalo, deixando o resto solto nas costas como longas camadas. “Eu poderia me candidatar a atendente do bar enquanto estivermos lá.” Chad franziu a testa. “É aquela que fica lá na saída da cidade, certo?” Ele voltou para seu quarto sem esperar a resposta. Recentemente, as coisas naquela área da cidade estavam um pouco perigosas. Desaparecimentos era um perigo proeminente e alguns corpos foram encontrados próximos àquela boate. Até agora, não havia nada que ligasse diretamente à Moon Dance, exceto o fato de que as vítimas eram frequentadoras da boate. Mas era o período de tempo que Chad e muitas outras pessoas achavam suspeito. Havia algumas questões sobre a possível existência de um assassino em série frequentando aquela boate. Muitas das últimas vítimas foram vistas na boate. Como um policial, ele não podia ignorar a probabilidade de haver uma conexão. Como sua arma e seu distintivo já estavam no carro, Chad pegou uma pequena arma de choque e colocou na parte de trás da calça. Com todas essas coisas ruins acontecendo por lá, ele queria que Envy ficasse com ela caso acontecesse algo enquanto eles estivessem na boate. Saindo do quarto, ele olhou para o corredor e parou atônito quando viu sua irmã. Uma saia de couro preta com renda saindo da parte de baixo na metade da coxa, cobrindo as pernas, seguida por uma camisa preta de renda. Havia pedaços de couro apenas nos lugares estratégicos... o suficiente para esconder seus s***s e mostrar sua barriga e umbigo. Ela ainda estava calçando um par de botas de couro pretas. Um colar que sua mãe deu a ela anos atrás enfeitava seu pescoço com um belo pingente de quartzo ametista pendurado. A maior parte de seu cabelo ruivo estava preso num r**o de cavalo com uma parte caindo sobre um dos ombros. Sua maquiagem era de bom gosto com um pouco de delineador e sombra pretos e uma cor de batom escura. Ela parecia uma dominatrix. “Nossa, você quer sangue, não é mesmo?” Chad levantou uma sobrancelha, olhando-a de cima a baixo. Ele pensou em cancelar a balada e falar pra ela voltar pro quarto por motivo de segurança. “Bom, eu já decidi”, Envy levantou sua delicada sobrancelha, “Depois de eu acabar com Trevor, eu vou me divertir! De agora em diante, eu me recuso a sair com apenas um cara. Eu não quero um namorado… Eu quero VÁRIOS! Assim, quando um se comportar como um babaca, não vai importar porque eu terei outros que não terão problema nenhum em quebrar a cara dele.” “Sim, eu me lembro como isso deu certo durante a época da escola”, Chad balançou a cabeça sabendo que sua irmã era muito mais inocente do que ela fingia ser, “Vamos no meu carro caso eu receba um chamado do Departamento.” “Só se você me deixar ligar as luzes azuis”, sorriu Envy, sabendo que ele deixaria. Chad suspirou e foi andando para o carro. “Você é pior do que uma criança numa loja de brinquedos apertando todos os bichinhos de pelúcia que fazem barulho e deixam todo mundo louco.” “O que?”, ela riu, “Eu gosto das luzes azuis. As pessoas saem do caminho quando elas estão ligadas.” “Como daquela vez que você as ligou quando acabou o café de casa?”, ele perguntou. “Você sabe que isso é um desperdício de dinheiro público, né?” “Se você não ficar quieto, eu vou dirigindo. Aí você vai ter que aguentar as luzes vermelhas e a sirene”, ela avisou com uma piscada de olho. Chad se calou imediatamente porque da última vez que aquilo aconteceu, ela estava atrasada para o trabalho e ele estava doente demais para dirigir, ficando no banco do passageiro dormindo profundamente. O Comandante ainda o enchia por conta disso. ***** Envy desligou as luzes azuis a cerca de um quarteirão de distância da boate e olhou para os holofotes de luz que se moviam pelo céu noturno cheio de nuvens. Ela observava enquanto o prédio de dois andares apareceu à vista. Ela estava trabalhando tanto ultimamente que ela ainda não tivera chance de ir à Moon Dance, mas alguns de seus clientes já tinham elogiado bastante. Do lado de fora não tinha nada de mais. Parecia um armazém de tijolos com poucas janelas um letreiro roxo de neon pendurado no alto da entrada.
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