Narrado por Bagu A noite antes da transferência foi tensa. Eu dormi pouco. Na verdade, só cochilei umas duas horas e o resto do tempo fiquei sentado na varanda, fumando e passando o plano na cabeça. Cada detalhe. Cada ponto cego. Cada homem. Na manhã seguinte, reunimos todos no barracão da contenção, no alto do morro, longe da vista de qualquer um. — Tá todo mundo com rádio? — perguntei, e todos assentiram. — Carro revisado, motos no ponto, rota marcada. — A van da falsa equipe médica já tá preparada — disse Zoio, com uma pasta na mão. — Documento, placa, jaleco, tudo como a gente combinou. — E o horário da troca? — perguntou Menor. — Confirmado: 9h47 na curva do quilômetro 40. O furgão da escolta vai parar pra checar documentação antes de seguir. A gente entra aí. BX, de braços

