Narrado por Radja Acordei confusa, o cheiro de hospital me acertou como um soco no estômago. Meu corpo doía, minha cabeça latejava, mas quando olhei para o lado, ele tava lá. Bagu, sentado no sofá da enfermaria, com os pés pra cima, a cabeça encostada no ombro e uma expressão de cansaço misturada com paz. Dormia segurando meu documento na mão, como se quisesse proteger cada parte minha. — Bagu… — murmurei. Ele acordou num pulo, veio até mim e beijou minha testa. — Você tá bem, amor? O Lyon tá ótimo, tá? Tá sendo cuidado ali na incubadora só por precaução, mas tá lindo… forte igual a mãe. Meus olhos marejaram. Não lembrava de tudo. Só flashes do tiroteio, do carro, da dor e do Bagu com as mãos trêmulas fazendo o parto. Agora, aqui, viva, eu sentia que algo dentro de mim tinha mudado pr

