Na manhã seguinte ao desmaio, ela ainda insistia que era só estresse. Mas eu conheço ela. Tinha algo diferente no olhar, no jeito como segurava a barriga, como evitava comer certas coisas. — Radja, posso falar contigo rapidinho? — puxei ela pro fundo da loja do Seu João, num cantinho onde ninguém ouvia. — Fala, Ana. — Tu já pensou que esse desmaio pode ser outra coisa? Ela desviou o olhar. — Eu tô cansada, Ana... é isso. — Não é só cansaço. Tu tá pálida faz dias, anda enjoando de manhã. E ontem... quando o Bagu chegou e tu chorou daquele jeito, parecia mais do que susto. Ela ficou quieta. Mordeu o lábio. — Tu acha que eu tô...? — Eu acho que tu devia fazer um teste. Só pra tirar a dúvida. Mas se for... Radja, isso não é o fim do mundo, não. É o começo de outro. Ela respirou fundo

