O sol se punha atrás das árvores do campo de treino, tingindo o céu com tons alaranjados e roxos. Kelly sentou-se num dos bancos de concreto ao lado da pista, respirando ofegante. O suor escorria por sua testa, e seus músculos tremiam depois de mais um treino intenso. Otávio se aproximou com duas garrafinhas de água, jogou uma para ela e se sentou ao lado, ainda recuperando o fôlego. — Tá destruída, hein? — ele disse, rindo. — Tô, não. Tô morta — ela respondeu, bebendo um longo gole da água gelada. Ficaram alguns minutos em silêncio, ouvindo apenas o som dos carros ao longe e das folhas sendo levadas pelo vento. Então, Kelly quebrou o silêncio. — Otávio... — Fala, Kelly. — Acho que eu vou ter que diminuir minha rotina de treino. Ele virou o rosto para ela, surpreso. — Como assim?

