A aproximação de Kelly e rafael

630 Palavras
Mais tarde, na faculdade... Kelly caminhava sozinha pelos corredores, tentando encontrar um canto mais tranquilo para respirar. As aulas já tinham terminado, e a maioria dos alunos já estava indo embora. Foi então que ela entrou numa das salas vazias próximas ao laboratório de fotografia, onde a luz entrava pelas janelas altas e deixava o ambiente sereno. Rafael apareceu logo depois, como se tivesse sentido que ela estava ali. — Kelly... — ele disse com voz baixa, aproximando-se devagar. — Você sabe que se você precisar de apoio, de um ombro... eu tô aqui, né? Ela abaixou a cabeça, mexendo nas pontas dos dedos. — Eu sei, Rafael. E eu queria te falar tanta coisa... Mas hoje eu não posso conversar muito com você. Na verdade, tô tentando evitar me aproximar de você. Não quero confundir mais as coisas. Rafael franziu a testa, mas manteve a calma. — Mas, Kelly... eu não tô te pressionando. Eu nem tô tentando te seduzir. Só tô aqui, te ajudando, sendo teu amigo. Mas você sabe... você sabe que eu sou louco por você. Kelly fechou os olhos por um momento, como se estivesse lutando com a própria consciência. — Me desculpa, Rafael. É que... parece que quando você tava me encantando, eu me sentia mais tranquila. Agora que você recuou... me dá uma sensação horrível, como se... como se eu tivesse traindo o Otávio com você, mesmo sem nada ter acontecido. Rafael, com delicadeza, colocou a mão na frente da boca dela. — Que isso, Kelly? Nem abraço a gente deu. Nunca tirei vantagem nenhuma, nem tentei um beijo no teu rosto. Você sabe disso. Se quiser, eu falo com o Otávio, coloco tudo às claras. — Não, Rafael... por favor. — Ela segurou a mão dele e afastou com cuidado. — Não prejudica nenhum de nós dois. Eu amo o Otávio... mas tô cansada. Cansada de ter que me explicar o tempo inteiro, de ser acusada, vigiada... Isso tá me desgastando demais. — Eu nunca seria um doente psicopata como ele tá sendo — Rafael respondeu, firme. — Eu pelo menos sinto. Sinto de verdade. Sem querer te prender, sem te sufocar. Kelly riu sem graça, balançando a cabeça. — Para, Rafael... Para. O Otávio não era assim... Ele só... Ele só ficou perdido. Se você um dia sentisse medo de perder alguém, de verdade, talvez você também surtasse desse jeito. Eu tô cheia disso tudo, sabe? Cheia de culpa, cheia de cobrança. Sufocada. — Primeiramente... — Rafael falou, se aproximando um pouco mais, com um sorriso discreto — ...primeiramente, já gostei de te ouvir falar assim. Um dia, Kelly. Um dia, mesmo que esteja longe... quem sabe eu tenha essa chance? Ela olhou nos olhos dele e deu um sorrisinho pequeno, tímido. — Você não perde a oportunidade, né? — Não perco, não. Não depois desse teu sorriso. — Rafael disse com sinceridade, e ela apenas riu mais uma vez, mas sem se comprometer. Kelly saiu dali com passos mais leves. Pela primeira vez em dias, sentia que alguém realmente a escutava, sem julgamentos. Rafael, por outro lado, observava a porta se fechar atrás dela. Sentia-se tranquilo. Como se tivesse avançado mais um passo — discreto, mas firme — em direção ao coração dela. Enquanto isso... Do outro lado do parque da faculdade, Otávio estava sentado num banco com dois amigos. A expressão abatida, os olhos vermelhos. — Cara, ela saiu de casa hoje sem nem olhar pra mim. Sem nem falar nada... E pior... nem tava usando a aliança — ele disse, mexendo nervoso nos próprios dedos. — E tudo que ela falou ontem... tá tudo ecoando na minha cabeça. Os amigos apenas ouviam. Otávio, pela primeira vez, parecia perceber que talvez estivesse perdendo Kelly — e talvez... com razão.
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