Coringa Narrando Sextou, papai. E eu tô como? Livre. Na rua, comandando meu morro e a minha vida. Isso não tem preço. Acordei cedo, fiz minha rotina sem pressa nenhuma, coisa que ainda parece mentira. Entrei no banheiro e tomei um banho demorado, esfregando sabonete no corpo inteiro pra tirar o cheiro da Laura. Ontem foi puxado, cheguei moído, só caí na cama e apaguei. Corpo sente, mas a cabeça agradece. Quando desci, o Romano já tava finalizando uma reunião na garagem com uns moleques. Voz baixa, postura reta, tudo no eixo. Do jeito que sempre foi. Passei direto pra cozinha, botei café numa xícara grande, acendi um beck e fiquei ali, encostado na janela, olhando o céu da quebrada. Azul sujo, fio pra todo lado, roupa no varal, criança gritando mais longe. Meu mundo. Do nada, a imagem

