Coringa Narrando Acordei assoviando. Coisa rara pra mim. O sol batendo na cara, a cabeça leve, o peito tranquilo. Quando cheguei na cozinha, o Romano já tava lá, café passado, encostado na pia com aquele sorriso de canto que diz: já tô sabendo de tudo. — Bom dia, apaixonado — ele falou, estendendo a mão. Fiz o toque com ele e ri. — Já tá sabendo, né? — O morro inteiro já tá sabendo — ele respondeu. — E vim te dar o papo reto: não vacila com a Lelê. Aquela menina merece respeito. Olhei sério pra ele, sem zoeira. — Fica sussa. Se depender de mim, ela vai ser respeitada, amada e protegida. Não tem b.o nenhum. Ele balançou a cabeça, rindo. — Quem te viu, quem te vê, hein, Coringa. — Pois é — respondi. — Já fui muito putasso nessa vida. Agora sosseguei. Depois do café, desci pra boc

