Coringa Narrando A cabeça ainda tava girando com tudo que tinha acontecido que dia do Carälho, foi esse. Eu tava encostado na varanda de casa, olhando o morro lá embaixo, mas minha mente tava longe pra Carälho dali. Muito longe. Na verdade, tava no passado. Desde que a Letícia me mostrou a mensagem da minha mãe dizendo que ia me esperar em casa, alguma coisa dentro de mim virou do avesso. Casa. Essa palavra bateu pesado. Fechei os olhos por dois segundos. Dois segundos só. Mas foi o suficiente. Na minha cabeça eu consegui ver tudo. A casa por fora primeiro. O portão de ferro, meio enferrujado. O muro baixo que meu pai sempre dizia que ia levantar mais, mas nunca levantava. A árvore na frente da calçada que fazia sombra na varanda. Depois eu vi por dentro. A sala. O sofá marrom

