59 - Letícia-2

672 Palavras

Meu pai levantou devagar. — Filha. — Não, pai. Me escuta até o final. Respirei fundo. — Eu não preciso que o senhor me proteja do mundo me escondendo. Eu preciso que o senhor confie que eu sei me defender. Que eu sei quem eu sou. As lágrimas continuavam, mas agora não eram de fraqueza. Eram de libertação. — Eu sou gorda, sim. E daí? Isso não me faz menos inteligente. Menos digna. Menos amável. Eu não sou um erro que precisa ser corrigido. Ele se aproximou, os olhos marejados. — Eu nunca quis que você se sentisse assim. — Mas eu me senti. Por anos. O silêncio foi pesado, mas necessário. — Eu não quero mais viver tentando caber num padrão que nunca foi feito pra mim. Eu quero viver sem pedir desculpa pelo meu corpo. Sem aceitar humilhação disfarçada de brincadeira. Minha voz suav

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