Nem demorou muito, apagou. Fiquei olhando ele dormindo, respirando pesado, e senti um aperto no peito lembrando de tudo que aconteceu. Do susto, dos tiros, dos dias sem saber se ele ia voltar. Me levantei devagar e saí do quarto, fechando a porta com cuidado. A Letícia tava na cozinha preparando o almoço. O cheiro de alho refogando tava espalhado pela casa. Encostei no balcão. — Dormiu — falei. Ela olhou pra mim e assentiu. — Depois que tomou o remédio ficou mole. Franzi a testa. — Ele tá sentindo dor? Ela suspirou. — De madrugada ele reclamou de uma dorzinha chata. O médico já tinha avisado que podia acontecer. Dei o remédio e passou, mas como ele é forte, a medicação acaba deixando ele meio sonolento. Balancei a cabeça. — Deixa ele dormir. Sentir dor é horrível. Ela concord

