Letícia Narrando Eu fiquei no quarto. Andando de um lado para o outro. Sem conseguir parar. Sem conseguir pensar direito. Alexandre tinha descido com aquela postura firme, aquele olhar decidido, e me mandado trancar a porta. Eu obedeci. Ativei a fechadura eletrônica, encostei a testa na madeira por alguns segundos tentando respirar. Mas respirar parecia impossível. Os fogos ainda ecoavam na minha cabeça quando os primeiros tiros começaram. Eu fechei os olhos. — Protege ele, Senhor, protege todos eles. Eu comecei a rezar. Não uma oração bonita, decorada. Era desespero. — Eles estão lutando por nós, Pai, pelos filhos, pelas mães, pelas casas, não deixa ninguém cair. Meu celular tocou. Eu quase deixei cair no chão de tanto que minhas mãos tremiam. Era minha mãe. — Filha, você

