115 - Coringa

1329 Palavras

Coringa Narrando O gosto na minha boca é a primeira coisa que sinto. Amargo pra carälho. Minha língua parece colada no céu da boca e a garganta tá seca igual areia. Tento engolir e arde. Demorei alguns segundos pra perceber que tô respirando pesado, como se cada puxada de ar fosse um esforço do carälho. Minha cabeça latejando. Abri os olhos devagar. A visão vem toda embaralhada primeiro, tudo meio branco, meio cinza, como se eu tivesse olhando o mundo através de um vidro sujo. Pisquei algumas vezes tentando focar. — Que pörra. Minha voz sai rouca, quase um sussurro. Demoro um pouco até entender onde tô. O teto branco. O cheiro de remédio. O barulho distante de algum aparelho. Postinho. Tô no postinho do morro. Minha visão ainda tava meio turva, mas já dá pra enxergar melhor. V

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR