Letícia Narrando Já fazem dois dias. Dois dias que o Alexandre tá em coma. O tempo não passa normal. Ele se arrasta. Cada minuto tem peso. No postinho, são só dez minutos pra ver ele. Dez minutos cronometrados, frios, insuficientes. Sempre eu e a Milene que entramos. A gente se reveza no silêncio, segurando a mão dele, falando coisas que talvez ele não escute. Ontem eu não consegui fazer nada. Dormir foi a única coisa que meu corpo aceitou. E mesmo assim era um sono pesado, cheio de sustos. Passei o dia cambaleando pela casa como se eu fosse um zumbi. Olhava pras paredes e não reconhecia nada. Sentava no sofá e esquecia o que ia fazer. Meu pai e minha mãe ficaram em casa. Não foram trabalhar. Ficaram ali, me vigiando com aquele cuidado silencioso de quem tem medo que eu desmorone de

