Capítulo 07 - Tem dois de você?

927 Palavras
O menino estava já vendo duas coisas ao invés de uma.    -Nossa senhor, duque. - Falou ele rindo - Tem dois do senhor - E riu ainda mais. Sua gargalhada era gostosa, a senhora Maria de Fátima analisava tudo aquilo.    -Acho que ele está bêbado - Falou ela - Mas como é que ele bebeu álcool? Eu não vi nada - Se fez de desentendida.    -Eu vou embora - Levantou-se Alberto. - Não sei o que aconteceu, eu fui no banheiro e quando voltei ele estava assim. Acho que é coisa sua mãe, o que fez?    -Você vai gostar do que fiz. Agora, vamos para casa te explico tudo no caminho.    Ele colocou o menor no banco da frente, estava rindo feito um bobo.    -Ainda não sei como tem dois de você. - Ele fez uma careta - Você é tão bonito, parece que nem é de verdade - Ele disse entre risadas - É o homem mais bonito que eu já vi.    Alberto deu um sorriso de canto. Foi até o outro lado do carro e entrou. Sua mãe já estava no banco de trás.    -Fale agora o que fez com ele e o que pretende.    -Eu já notei tudo, você quer esse menino para você. E como eu te conheço nada do que eu fale vai funcionar. Mas, eu penso em tudo. Dei whisky para ele, coloquei no suco enquanto ele estava distraído vendo o show, foi o meu primeiro teste.    -Teste?    -Sim, ele bebeu o suco mesmo estando com o gosto estranho, apenas para não reclamar, pois ele havia ganhado e não estava pagando. A próxima parte, é que podemos saber o que quisermos dele. - Disse vitoriosa - Eu sei que quer isso, me agradeça depois.    Alberto viu ali uma oportunidade de saber tudo sobre o garoto por quem ele não conseguia para de pensar em nenhum minuto e aquilo já o estava deixando louco.    Quando chegaram em casa, ele pegou o menor no colo e colocou no sofá.    -Qual seu nome? - Perguntou a Mulher, o que fez Alberto se irritar.    -Meu nome é Vinícius, senhora mãe do senhor duque. - Falou ele fechando e abrindo os olhos, parecia estar com sono. Já Alberto estava com raiva pela forma que sua mão tratava o menino.    -Mãe, cale-se, eu farei as perguntas. - Disse impaciente.  -De onde você é Vinícius? - Tentou soar o mais natural possível.    -Eu ? É...eu moro em uma roça, lá na Bahia. Eu não moro mais, né? - Uma lágrima caiu do olho dele - Eu sinto saudade da minha mãe, faz três dias que estou viajando e não vejo ela. - Ele fechou o olho - Eu só queria ter como trazer eles...    -O que você veio fazer aqui?    -Eu vim juntar dinheiro - Falou e soltou um bocejo. - Meu pai perdeu toda a criação e a plantação é a única coisa que ainda tem lá. Mas foi plantado tão pouquinho que acho que só vai ter para comer. - Ele abriu os olhos, eles estavam marejados - Eu acho que eles não vão conseguir vender nada esse mês.    A duquesa olhou por um tempo, mas logo concordou que já sabia o suficiente.    -Vou dormir - Falou ela enquanto ia em direção as escadas. - Ele é lindinho, e se eu vendesse ele para o barão do anuí? - Perguntou ela rindo, baixo em plena escada.    -Como se você fosse ousar tocar nele, para que eu acabe com você.    Ela riu e prosseguiu até o quarto.    O menor dormia ali naquele sofá, o duque pegou ele em seus braços e levou até o seu quarto. Tirou a gravata, a camisa e o sapato dele. Tirou sua própria camisa, seu sapato e sua calça. Deitou-se ao lado do "seu" pequeno. Puxou ele para mais perto, cobriu os dois com o mesmo lençol e o apertou contra o seu corpo. O que ele estava fazendo? Ele mesmo não saberia responder, ele tinha acabado de conhecer aquele menino.    "Ah, minha pequena  Ah, minha grande obsessão  Oh, minha honey baby  Baby, honey baby  Oh, minha honey baby  Baby, honey baby" -   Vapor barato - Gal costa.    O sol entrava pela fresta da grande janela, onde a cortina se encontrava entreaberta. Vinícius abriu seus olhos, que quarto era aquele? Olhou para seu corpo, quem tirou aquelas roupas bonitas dele? Oh não! Ele se lembrou que hoje era seu primeiro dia de trabalho. Sua cabeça doía, ele nunca sentia dor de cabeça, o que estava acontecendo?     Ele se levantou com a mão na cabeça, aquela cama era ainda maior do que a do quarto que o duque havia dado para que ele dormisse. "De quem é esse quarto?"    Ainda estava tonto, foi andando do jeito que estava até encontrar o quarto onde estava, ele se perdeu diversas vezes. Aquele lugar era muito grande. Quando encontrou, entrou rápido procurou por sua escova de dente e o resto do creme dental que tinha e seguiu até o banheiro onde tomou um banho e escovou os dentes. Saiu dali, vestiu uma das suas roupas e seguiu até o andar de baixo.    -Onde pensa que vai? - Perguntou Bernado Quando o menor estava indo para a parte de trás da casa. - Você não pode sair daqui, eu tenho ordens.    -Eu vou trabalhar, seu Bernado. Eu vou cuidar dos porcos. - Falou com um sorriso fraco, sua cabeça ainda doía.    -Não vai! - Falou pegando o garoto pelo braço e o colocando no sofá. - Fica aí! Eu não quero usar a força com você garoto.   
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