Inquietante

1381 Palavras

Percebi que não adiantava mais fingir. O livro estava aberto no meu colo, o marcador parado na mesma página havia tempo demais, e eu não fazia ideia do que tinha acabado de ler — se é que li alguma coisa. Meus olhos passavam pelas linhas, mas minha cabeça estava em outro lugar. Não era cansaço. Era inquietação. Uma sensação estranha, daquelas que não chegam a doer, mas também não deixam em paz. Suspirei fundo. Fechei o livro com cuidado, como se estivesse encerrando algo importante, e o coloquei ao lado da espreguiçadeira. O silêncio ao redor era confortável demais para combinar com o turbilhão que se formava dentro de mim. Meu celular continuava ali. Quieto. Mas não indiferente. Peguei-o quase no automático, como se meu corpo tivesse decidido antes de mim. Desbloqueei a tela e, por

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