A rotina voltou antes mesmo de eu estar pronto para ela. Na segunda-feira, acordei no horário de sempre, mesmo depois de uma noite m*l dormida. O despertador tocou às seis em ponto, aquele som conhecido que por anos foi sinal de normalidade, de ordem, de controle. Olhei para o teto por alguns segundos antes de desligá-lo. Manuela ainda dormia. O braço dela estava jogado sobre o meu peito, o cabelo espalhado pelo travesseiro. A aliança brilhava discreta no dedo dela, pegando um resto de luz que entrava pela janela. Aquela cena deveria me trazer paz. Em teoria, era tudo o que eu sempre quis depois de perder a Helena: estabilidade, amor, alguém ao meu lado. E eu amava Manuela. Disso eu não duvidava. Mas havia um ruído baixo dentro de mim, constante, como um zumbido que não se cala quando

