A semana passou diferente. Não mais rápida, não mais lenta — apenas diferente. Como se cada dia tivesse ganhado uma camada nova, invisível, mas impossível de ignorar. Eu acordava cedo, trabalhava como sempre, tomava decisões importantes, atendia pacientes, resolvia problemas… mas havia algo constante atravessando tudo isso: Manuela. Mensagens curtas durante o dia. Áudios rápidos no meio de reuniões. Fotos casuais — um café, um sapato novo, um detalhe qualquer que ela fazia questão de dividir comigo. Não por necessidade, mas por escolha. E isso mudava tudo. Na quinta-feira à noite, ela apareceu no meu apartamento como se já fosse parte dele. Cheguei do trabalho e encontrei a porta destrancada. Não senti estranhamento. Apenas sorri. — Manuela? — chamei, largando a chave sobre o aparador

