Eu continuei ali, parado no meio da avenida, sentindo o rastro do perfume dela se dissipando no ar carregado de fumaça, asfalto quente e a maresia que soprava do Arpoador. O caos ao meu redor ainda era absoluto, uma sinfonia de fúria urbana que parecia não ter fim. Motoristas buzinavam em ritmos histéricos, alguns ainda gritavam insultos da janela, e a plateia de curiosos na calçada pedestres que interromperam o passo para assistir ao espetáculo gratuito parecia esperar por um segundo ato, um desfecho sangrento ou um beijo cinematográfico que selasse a loucura daquela noite. Um homem de meia-idade, com o rosto vermelho de irritação e as veias do pescoço saltadas, saltou de um carro popular logo atrás do meu SUV. Ele gesticulava como se estivesse tentando espantar um enxame de abelhas invi

