A marca do tapa dela ainda latejava na minha pele, o calor da palma da mão de Marta se transformando em uma pulsação rítmica e dolorosa que acompanhava cada batida pesada do meu coração. Mas a dor no meu peito era uma ferida muito mais antiga, uma fissura profunda e purulenta que eu vinha tentando ignorar, selando-a com camadas de concreto e cálculos frios, desde que me entendi por gente. Encarei os olhos dela aqueles olhos que nunca me viram como um ser humano, mas apenas me avaliaram como se eu fosse um projeto m*l executado, uma viga torta que insistia em não se alinhar ao desenho que ela idealizara para o herdeiro de Pedra Bruta. — Eu queria entender, mãe... — minha voz saiu baixa, carregada de uma amargura que eu não conseguia mais conter sob a máscara de granito. O silêncio que se s

