O som dos meus saltos ecoava pelo corredor do Hospital Infantil, mas o ritmo era diferente do de duas horas atrás. Ali, entre as paredes decoradas com adesivos de girafas e balões coloridos, eu não era a filha angustiada ou a motorista furiosa; eu era a Dra. Íris Duarte, a autoridade máxima em transformar o medo em diagnóstico. Passei na minha sala, troquei o scarpin por um tênis branco impecável e vesti meu jaleco reserva, aquele com o bordado dourado no bolso. Prendi o cabelo em um r**o de cavalo alto, tão firme que parecia esticar qualquer pensamento que não fosse técnico. O cheiro de álcool gel e talco infantil era o meu perfume de guerra. O hospital era o meu santuário de controle, o lugar onde a vida seguia protocolos rígidos e o caos era domado pela ciência. O plantão estava um ca

