O sol já tinha se posto há algumas horas, mas o morro do Chapadão ainda pulsava como se fosse dia. O som das motos, dos rádios ligados no último volume, das risadas altas e dos tiros esporádicos que ecoavam ao longe eram a trilha sonora daquela noite. Para Bela, cada ruído carregava um peso diferente: medo, desconfiança, alerta. Ela ainda não se acostumara ao caos constante daquele lugar, embora já vivesse ali há semanas. A.S. estava sentado no terraço da sua casa, cigarro entre os dedos, observando o movimento das vielas. Os olhos atentos, acostumados a vigiar cada detalhe, não deixavam escapar nada. Ao lado dele, um dos seus homens confiáveis, Zóio, dava o relatório da noite. — O bagulho tá esquisito, chefe. Vi uns caras rondando lá embaixo, perto da entrada do morro. Tão dizendo que é

