A manhã nasceu turva sobre o morro, como se o céu tivesse herdado a fumaça da batalha da noite anterior. Os becos ainda exalavam o cheiro de pólvora e sangue fresco, lembrança c***l de que a guerra estava longe de terminar. Crianças voltavam a brincar na rua, mas com um olhar desconfiado, como se pressentissem que mais cedo ou mais tarde o silêncio seria novamente rasgado por tiros. A.S. despertou em meio ao cansaço, o corpo ainda doía das horas de confronto. Abriu os olhos e por um instante encontrou o rosto dela, sereno no sono, iluminado pela fraca luz que entrava pela janela. A visão trouxe uma calma que ele não sentia há anos. Mas essa calma era também seu maior perigo. “Se descobrirem…”, pensou. “Se descobrirem, ela não sobrevive.” Levantou-se devagar, vestindo a camisa amassada

