O Chapadão amanheceu em silêncio, mas a calmaria era enganosa. Cada morador sabia que aquela paz era apenas temporária. O barulho distante de tiros e motocicletas denunciava que o perigo nunca dormia. Bela despertou com o coração acelerado. A noite anterior fora longa, e ainda sentia os efeitos do medo e da adrenalina correndo pelas veias. A.S. estava de pé, olhando pela janela, atento a cada movimento no morro. Os olhos dele eram como lâminas afiadas, capazes de perceber o menor detalhe que pudesse indicar ameaça. Ele respirava fundo, ajustando a arma na cintura, pronto para qualquer sinal de ataque. — Chefe, os caras tão se mexendo de novo. — Zóio surgiu ao lado dele, voz baixa e tensa. — Parece que tão planejando algo maior. — Então deixa. — A.S. respondeu, a voz firme. — Eles vão ap

