— Talvez você só precise descobrir — ouvi-me dizer, minha voz soando estranhamente suave. Ele riu, um som seco e sem humor. — É. Talvez. Vai pro teu quarto. — Não Esperei ele mandar duas vezes. Entro já me jogando na cama, memória daquela conversa ainda me arrepia. Estou deitada na cama, o livrø na mão, sinto seus olhos em mim antes mesmo de ouvir a porta do quarto se abrir. Ele está parado no batente, os olhos escuros percorrendo meu corpo, do cabelo ainda úmido aos pés descalços, parando no shorts curto e na blusa de alcinha justa. Instintivamente, sentei na cama e cruzo os braços sobre o peito, um calor subindo pelo meu rosto. — Aconteceu alguma coisa? — pergunto, tentando disfarçar o constrangimento. Ele não tira os olhos de mim. — Não, nada. — A voz dele é rouca. Ele faz um

