Capítulo 5

930 Palavras
Lúcifer Narrando Volto meu foco pro computador conferindo a planilha de devedores, tem uns nomes que já está tempo demais, toda semana pede mas um prazo tá achando que isso aqui é bagunça é, droga e luxo se não pode manter não inventa de usar. Anoto o nome de uns três no celular que eu sei que tem dinheiro, filho de papai que gosta de bancar o bambam subindo o morro pra comprar droga fiado e acha que vai me passar pra trás só porque mora em condomínio fechado, vou fazer uma visitinha pra eles e mostrar que eu entro em qualquer lugar. Já estava me preparando pra sair, ia acionar os que iam comigo e avisar o GT. É nesse momento que o rádio na mesa chia. A voz do vapor da porta entra, cortando o turbilhão: — Chefe, a Simone e a Débora estão aqui fora, querendo entrar. E vou adiar meus planos por algumas horas, nada que um alívio instantâneo, grosseiro, animal. Depois de uma notícia daquelas, o corpo pede um reset. Algo primitivo, que não exige pensamento, só instinto. — Deixa elas entrarem — eu falo no rádio, a voz já mais controlada. Enquanto ouço os passos delas se aproximando no corredor, mexo na gaveta. Tiro uma cartela nova de camisinha. Eu não achei meu paü no lixo pra comer essas pütas sem camisinha, e também não beijo na boca, isso é íntimo demais. É um pente e rala, rápido e sem apego. A porta se abre. As duas entram. Simone é mais velha, experiente, com aquele olhar que já viu de tudo um pouco. Débora, é mais nova, corpo bonito, mas com um ar de quem ainda se impressiona. Elas sorriem, um sorriso profissional, sabendo porque estão aqui. Nem espero elas falarem. Já sei o que vieram atrás. — Bora, as duas se beijando — eu do o comando, a voz grave, sem emoção. Elas obedecem na hora. É um espetáculo treinado. Os lábios se encontram, as mãos começam a passear. Simone, com um jeito de quem lidera, puxa o vestido da Débora para baixo. Os p****s dela redondinho, firmes, aparecem. Débora arqueia as costelas, oferecendo. Eu afasto a cadeira da mesa com um ronco. Abro o zíper, e tiro meu paü pra fora. Já tá quase duro, só de ver a obediência, o poder cru da situação. É uma distração temporária. — Simone, se deita no sofá e abre essa büceta pra Débora chupar. Elas se movem como bonecas. Simone se joga no sofá de couro velho, levanta a perna, ergue aquele pedaço de pano que ela chama de saia. Já sem calcinha. Débora fica de quatro na frente dela, e enterra o rosto entre as pernas dela, sugando a büceta dela. Os gemidos da Simone começam, altos, exagerados, feitos para excitar, mas eu não sinto nada, nunca sinto. Eu fico atrás da Débora. Encapo meu paü, uma camisinha, duas, por segurança. Ela tá molhada, mas eu não vou pra lá. A büceta dela é larga, perde a graça. Coloco a cabeça do meu paü no cü dela, que tá bem mais apertado. Ela dá um salto, um gemido abafado, mas não para de chupar a Simone. Empurro. Uma estocada firme, seca. Ela geme mais alto. É o sinal. Entro no ritmo. Estocada atrás de estocada, com uma força que não tem nada de prazer, é só descarga. É tentar expulsar a imagem do Marcola, da filha dele que eu ainda não sei o rosto, da minha irmã, dos meus pais, da Priscila se arriscando lá na Babilônia. Cada metida é um pensamento sendo esmagado. O som de carne batendo contra carne, os gemidos das duas, o cheiro de sexo e suor… é um barulho que abafa o da minha cabeça. Deve ter sido umas duas horas. O tempo perde o sentido nesses momentos. Até que a tensão toda se acumula na base da minha espinha e explode, abafada pela borracha. Um alívio mudo, físico, momentâneo. Paro, ofegante. E saio de dentro da Simone. Arranco as camisinhas, amarrotadas, e jogo no lixo ao lado da mesa. Elas se separam, desarrumadas, suadas, com a maquiagem borrada. Vou até a gaveta, tiro seis notas de cem. Jogo no colo da Simone. — Três para cada. Agora vazem. Elas pegam a grana rápido, sem cerimônia. Se arrumam em segundos, com a eficiência de quem está acostumado. — Valeu, chefinho — a Simone solta, ainda ofegante. E saem, fechando a porta atrás de si. O silêncio volta. Agora cheira a sexo e derrota. Fico parado por um minuto, o corpo ainda quente, a mente já esfriando, voltando à realidade c***l. A informação da Priscila queima dentro de mim, mais viva do que nunca. Me viro e entro no banheiro que tem aqui, um cubículo com um vaso e uma pia. Abro a torneira. A água é gelada, diretamente da caixa. Molho as mãos, esfrego o rosto, lavo o paü com sabonete. Levanto o rosto e me encaro no espelho embaçado. Os olhos que me devolvem o olhar são fundos, cercados de sombra. Não vejo um homem. Vejo uma arma. Um instrumento de vingança que acabou de descobrir onde mirar. Marcola esconde uma filha. Ele acha que tá protegendo que eu nunca ia descobrir esse segredinho. Ele não imagina que é justo o contrário. Ele acabou de me mostrar exatamente onde dói. E eu não descanso. Não enquanto ele não sentir na carne o gosto do meu inferno. E depois de ele sofrer tudo que eu sofri eu arranco a cabeça dele igual ele fez com a minha família.
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