Capítulo 6

1285 Palavras
– Amanhã o restante dos meus amigos vai chegar e aí sim, esse lugar vai ficar perfeito – informou Gabriela, com os olhos brilhando. Elas voltavam para casa, o sol já se escondia atrás das montanhas. – Todos têm casa aqui? – Sim, alguns no mesmo condomínio e outros, em lugares diferentes. – Você conhece alguém que seja daqui? – Como assim? Que more aqui? – É. – Nosso caseiro é daqui. Conheço os chefes dos restaurantes que a gente frequenta sempre, também. Mas eles são paulistas, que mudaram para cá e agora vivem aqui. Porquê? – Deve ser incrível morar aqui, acordar todos os dias com esse mar – suspirou. – É, mas não sei se conseguiria. Aqui não tem um shopping, não tem cinema e nem McDonald’s. – O que é um shopping perto desse lugar, Gabriela? – Elisa perguntou inconformada com a comparação. – Ah, eu amo shoppings – disse, se defendendo. – Sair para fazer compras, assistir um filme, comer na praça de alimentação. – Aqui parece que tem mais restaurantes que Belo Horizonte inteiro. – Tem muito mesmo. São muitos turistas o tempo todo, a cidade tem que ter estrutura para receber. Você vai conhecer os melhores – prometeu. A vivência que Elisa estava tendo naquele paraíso baiano, nunca teria com os pais. Mesmo que tivesse ido com eles, jamais poderia experimentar desse lado da cidade, que é exclusivo para o público mais abastado. Eles comeriam nos lugares mais baratos, ou a mãe faria a própria comida. Elisa estava grata pela oportunidade que Gabriela havia lhe dado. – Pena que perdemos o pôr-do-sol hoje. Lá do terraço dá para ver, é a vista mais linda da cidade – disse Gabriela. A escuridão já tomava conta, ainda faltava algumas quadras para elas chegarem, mas os postes já iluminavam o caminho. – Amanhã a gente volta mais cedo para assistir – Elisa consolou. – Muita gente vai para o mirante assistir, tem a praia do Pontal também. Mas lá de casa é o lugar mais bonito, papai pensou muito bem na estrutura antes de construir e a vista para o pôr-do-sol era uma das exigências. As garotas entraram em casa e foram direto para o chuveirão que ficava no jardim, para que os moradores pudessem tirar a areia antes de entrar. Elas já estavam subindo quando Erico chegou, carregando sua prancha. – Então, você foi mesmo surfar – disse Gabriela, surpresa, parada no meio do caminho que levava até os quartos, Elisa aguardou a amiga. – Claro, não disse que ia – foi a vez dele de lavar a prancha e a si mesmo no chuveirão. – Não pensei que fosse tirar a b***a da frente do videogame. – Você não sabe nada sobre mim, irmãzinha. Gabriela rolou os olhos e seguiu o rumo até seu quarto, com Elisa no seu calcanhar. Ela entrou primeiro para tomar banho, enquanto que a outra aproveitou o momento para mandar todas as fotos para os pais e a irmã, que ficaram em Belo Horizonte. Não ligou para eles dessa vez, só mandou uma mensagem contando do passeio e o quanto tinha sido incrível. Elisa também tomou o seu banho e depois foi avisada por Gabriela para que se arrumasse, iam jantar fora com os pais dela. Tentou escolher sua roupa mais bonita para sair, já que não sabia o quão arrumada precisava estar. Mas no fim, todos estavam bem casual. Ainda ia aprender que aquele era sempre o dress code na praia. Erico estava até de chinelo. Já Paula e Gabriela usavam vestidos longos esvoaçantes e no pé, apenas rasteirinhas. Elisa escolheu uma jardineira jeans com uma blusa verde de mangas princesa por baixo. O restaurante escolhido chamava Jiló e tinha toda a decoração pensada para dar um clima praiano de descontração e aconchego, mas não tinha nada de humilde no lugar, claramente, tinha sido projetado por um arquiteto e os preços no cardápio também não seriam modestos. Elisa deixou que escolhessem por ela. Gabriela insistiu que a mãe a deixasse tomar um drink, mas o máximo que conseguiu foi uma taça do vinho que os pais tinham pedido. Erico aproveitou a oportunidade para implicar com a irmã mais nova. Enquanto a família conversava sem parar, ora em tom de briga, ora em tom de fofoca, Elisa observava as pessoas ao seu redor. Reparou que muitos que serviam as mesas tinham sotaque paulista, como Gabriela havia lhe falado. Ela os entendia perfeitamente, também largaria São Paulo para viver ali. Elisa reparou quando um garoto saiu de dentro da cozinha do restaurante, mas ele não parecia estar vestido para trabalhar lá. Aliás, parecia novo demais para estar trabalhando. Ele parou no balcão para falar alguma coisa com a pessoa que estava atrás. Deve ter sentido os olhos de Elisa nele, porque se virou na direção dela, que tentou disfarçar pegando sua taça com refrigerante para beber. Em seguida, o garoto deixou o restaurante, cruzou a rua até a praia que ficava ali em frente, desceu para a areia e se juntou a um grupo de jovens que jogavam futevôlei. Elisa acompanhou tudo, sem tirar os olhos do rapaz. Ele era bonito, não muito alto, mas de ombros largos e pele da cor de jambo, cor de quem tinha o sol lhe beijando todos os dias. Nem se deu conta de que passar todo o jantar olhando para a janela do restaurante, sabia até a pontuação do jogo, se lhe perguntassem. O garoto misterioso e seu time estavam ganhando. Todos pareciam viver aqui. Ali ao lado, um grupo de garotas jogavam futebol, também na areia. E nenhum deles aparentavam ser turistas. Elisa teve vontade de ir até lá, se juntar a eles, conhecê-los, conversar. Mas estava acompanhada da família da amiga, não poderia simplesmente sair por aí. Assim que acabaram de comer, pagaram a conta e saíram. O carro estava estacionado quase na porta. Elisa teve a oportunidade de olhar para a praia uma última vez e depois foram embora. Ninguém tinha forças para falar nada, estavam todos exaustos. Nem Gabriela que tinha passado o dia falando sem parar, emitiu um som. Para alegria dos pais, todos caíram na cama cedo e sem confusão. Com o corpo acostumado a dormir pouco e acordar cedo, no dia seguinte, Elisa abriu os olhos com os primeiros raios solares. Da janela do quarto, a luz brigava para entrar. Ela se levantou e deu uma olhada, o céu estava lindo, metade escuridão, metade um festival de cores. Elisa se esgueirou para fora do quarto e subiu até o terraço. Ela estava certa, o amanhecer estava uma obra-prima. Observou por alguns minutos e depois desceu de volta para o quarto, se aproximou da cama da amiga. – Gabriela, vamos ver o sol nascer na praia – chamou, cutucando a garota, que m*l se mexeu. – Gabi – tentou de novo. – O que é? – Resmungou sonolenta. – O sol está nascendo, vamos ver na praia. – Pode ir, me deixa dormindo. Elisa não quis mais incomodar e fez o que a amiga disse. Se trocou rapidamente e saiu, levando apenas o celular. Ela foi até a praia da Concha, a única ali próxima que conhecia e caminhou na areia em direção às pedras no fim. – Está procurando o sol? Elisa foi pega de surpresa e se virou assustada. Ficou sem palavras ao se deparar com o garoto do restaurante, bem atrás dela.  ********************** Obrigada por acompanhar mais essa história. Amanhã tem mais um capítulo, então não deixa de colocar o livro na sua biblioteca e me seguir por aqui para não perder as notificações, tá? E me siga também em todas as redes sociais: Instagram, Twitter e Tik Tok: @thaisolivier_
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR