1359 Palavras
Anny... Karen estava em grude só, e aquilo já estava começando me irritar. Não sou dessas pessoas que adoram ficar grudadas, apesar de ama-la e ela ser a minha melhor amiga. Mas de qualquer forma eu a entendia, estava pra ir embora com a minha vó em poucas horas e talvez não voltasse a vê-la tão cedo e ainda tinha o Michael. Não tinha falado com ele sobre o fato de estar deixando a cidade, e aquilo era muita coisa para uma cabeça de apenas nove anos, mas passado é isso. Passado. Ao chegar o fim da tarde, eu já não aguentava mais os abraços da Karen a quase todo momento. A gente estava conversando um pouco sobre como seria depois da minha ida até que a mãe dela bateu na porta. -- Filha, o Michael esta la embaixo__informou me causando enorme alívio naquele momento. Ao ouvir o nome dele, dei um pulo da cama e desci as escadas correndo sendo seguida por Karen. Nem mesmo esperamos a tia Kath falar mais alguma coisa. Pois é, eu a chamava de tia desde os meus cinco anos pelo que me lembro. Ela e mamãe eram amigas desde a faculdade se não me engano. Mamãe sempre dizia que elas eram como irmãs, assim como eu e Karen, e isso explicava muito na época. Quando cheguei a sala, não tive tempo de falar nem mesmo um A , pois Michael já veio logo me abraçando. -- Sinto muito Anny, de verdade__disse ele ao pé do meu ouvido em meio ao abraço__ Se tem alguém que entende pelo que você tá passando, esse alguém sou eu__com certeza sim, pois ele havia perdido a mãe a menos de seis meses em um acidente de carro, do qual o mesmo escapou com vida por sorte, de acordo com o que os peritos disseram. -- Muito obrigado Michael__agradeci em meio ao abraço__ Obrigada por ter vindo aqui me ver. -- Não precisa agradecer sua chata, você sabe que eu te adoro__disse exibindo um breve sorriso. -- Tô falando sério, obrigada__voltei a agradecer quebrando o abraço ao tomar a mínima distância necessária__ Iria te deixar uma mensagem ou algo parecido, já que estou quase indo embora e não daria tempo de passar na sua casa. -- Pera aí, você tá indo embora?__parecendo realmente não entender, questionou com o semblante assustado devido a surpresa. -- Estou sim__afirmei quebrando o contato visual__ Vou ir morar com minha vó. -- E não tem outro jeito?__perguntou ainda na esperança, afinal, éramos um trio. -- Tá pensando o que? Acha que eu já não tentei?__Karen se entrometeu demonstrando indignação. -- Não me venha com mais drama, por favor__falei cassoando da cara dela. -- Então é assim né?__sendo a mais sensível entre nós, rapidamente estava tomada pela feição de choro__ A gente quase morre aqui pra agradar essa louca e é isso que recebe em troca__disse diretamente ao Michael, me esquecendo no momento. -- Não fica assim miga, tu sabe que eu te amo e sempre vou amar,não sabe?__a abracei na tentativa de conforta-la. -- Assim eu espero__se livrou do abraço e me olhou diretamente nos olhos__ Se você deixar de me ligar ou mandar mensagem um só dia sequer, eu vou sair daqui nem que seja no meio da noite só pra te dar uns bons tapas__foi engraçado ouvir ela falar daquele jeito tão "ameaçador". -- E eu digo o mesmo, ouviu?__agora foi a vez de Michael se entrometer. -- Vou ligar sempre, e se não der pra fazer as ligações, mandarei mensagens, para os dois é claro__afirmei puxando os dois pra um abraço coletivo.   ..... Chegado ao horário já definido pelos mais velhos, me despedi de todos e fiz Karen prometer que iria me visitar nas férias, e só depois disso aceita enfim a nossa partida. Quando finalmente chegamos na casa da minha velha, já passavam das 20:30 horas. -- Nossa vó, pensei que fosse mais perto _reclamei ao adentrar a sala e me jogar no sofá. Não me recordava de ser tão longe dessa forma. -- Você é igualzinha a sua mãe__ela disse__ Tão reclamona quanto ela. -- Vó, a senhora acha que ele vai sair dessa,depois de tudo o que ele fez? -- Não sei filha,acho difícil__ela suspirou__ Mas sempre vai haver uma chance. -- Mais e se eu fosse até la e dissesse que ele queria me m***r também? -- Como assim Anny? Dessa parte eu não sabia__fez uma cara de espanto__ Aquele filho da mãe tentou te m***r? -- Foi o que ele disse vó__falei com uma naturalidade que não me pertencia__ Pelo menos foi o que eu entendi. -- Tá bom filha__pegou minha mão e me fez acompanhá-la rumo a escada__ É melhor você esquecer tudo isso e ir dormir, amanhã vou te mostrar a casa e sua nova escola. Chegando ao quarto fiquei de boca aberta com o tamanho exagerado dele. Possuía tudo o que havia no meu quarto antigo e algumas coisas a mais. -- Sério que esse exagero é pra mim?__perguntei ainda admirando o tamanho e organização daquele que parecia mais um apartamento de solteiro do que um simples quarto. -- É sim querida__disse sorrindo ao me olhar__ É todo seu. Com isso, vovó foi saindo do quarto me dando total liberdade. Ainda não acreditava naquele quarto, mas o que me tirou o sono foi pensar que amanhã eu iria parar em uma escola nova, justo eu que nunca pensei em mudar de escola até chegar o momento de fazer uma faculdade, já que a antiga oferecia ensino até o 3°ano do ensino médio. ... Acordei com os raios de sol bem na minha cara e com vovó terminando de abrir as cortinas. -- Bom dia flor!__ disse ela toda radiante__ Hora de se levantar, vou te levar para escola e quando chegar, vamos dar a volta por toda extensão da propriedade para você ficar conhecendo tudo. -- Que horas são?__perguntei com voz de sono. -- Já são seis horas, então vamos logo porque você tem que estar la antes das sete horas e dez minutos. -- Ah não vó!!__reclamei mais um pouco ao cobrir até a cabeça. -- Levanta logo, não vai querer chegar atrasada no seu primeiro dia,vai? -- Pra ser sincera,nem quero ter um primeiro dia__comentei mais pra mim do que pra ela. -- Para de falar besteiras e vai se arrumar__disse autoritária já puxando o cobertor__ Sai logo dessa cama__conclui já deixando o quarto e fechando a porta logo atrás de si. Me levantei da cama em uma velocidade monstro que não era a minha, posso garantir isso. Corri até o banheiro para tomar um banho morno, me enrolei na toalha para deixar o mesmo aqui dei por encerrado o banho, e fui pegar uma roupa, para só então descer para o café. Abri o guarda-roupas,no qual já estavam todas as minhas coisas,e peguei uma calça jeans escuro, quase preta, com detalhes em rasgos,uma camiseta comprida da kings na mesma cor, e por último, meu tênis branco com pequenos detalhes em preto da Nike. Estava parecendo aquelas adolescente revoltadas, porém, aquele havia se tornado o meu estilo. Terminando de me vestir, desci as escadas feito um caracol, de tão devagar. Vovó já havia preparado todo o meu café. Colocou sobre a mesa uma imensidão de coisas,para as quais eu nem olhei. Passei rapidamente o olhar sobre a mesa, peguei três biscoitos e uma maçã e segui para a porta. -- Vamos vó?!__a chamei__ Quanto mais cedo chegarmos la, mais tempo eu tenho pra bisbilhotar o lugar. -- Não quero saber de ligação da diretora me dizendo que você esta metida em encrenca,ok?__ advertiu assim que me alcançou. -- Tá legal vó,vou fazer o possível pra não me meter em confusão__da forma que falei, dava a entender que eu mesmo uma garota problema, mas não era a minha realidade, ao menos não até aquele dia. [...] -- A gente não costuma receber alunos assim no meio do semestre _uma mulher não muito velha falava com  vovó__ Mas, em meio as circunstâncias que tiveram de optar por uma transferência tão repentina, não vejo m*l algum em conceder a matrícula...
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