CAPÍTULO 6
Alice Narrando
Eu e Tracy acabamos nos entendendo. Eu odiava brigar com ela, então era claro que iriamos nos entender, era óbvio que eu a perdoaria sem pensar muito e que Tracy certamente se arrependeria de suas ações (como sempre ocorria), mas havia coisas que eu não podia mais ignorar.
Coisas como Thomas e os meus sentimentos em relação a ele.
Agora já não era apenas um desejo i****a, fantasias ou... ilusões. Eu realmente queria Thomas.
Eu queria Thomas tanto quanto havia querido Tony em dado momento, mas... Antony era diferente. Ele nunca havia sido aquele por quem me apaixonei, não. A verdade era que eu criei o Antony por quem me apaixonei e com Thomas... era diferente.
Eu não o havia criado.
Não.
Thomas era perfeito.
Ele sempre havia sido e o tempo parecia esfregar isso em meu rosto a cada momento, a cada segundo.
— Eu não posso. — Comecei a repetir para mim mesma em frente ao espelho, — Thomas... não é alguém com quem eu possa me envolver.
O rosto choroso de Tracy me veio a mente e meu coração apertou.
Eu nunca poderia ter Thomas, nunca poderia ser dele, então... qual era o real propósito de tudo aquilo?
Suspirei.
Eu deveria focar em estar ao lado de Tracy, em ajuda-la, afinal, éramos amigas. Melhores amigas.
Era isso, decidi.
Eu ficaria com Tracy, estaria com ela e — o mais importante — me manteria bem longe de Thomas. Me senti um gênio quando cheguei a essa conclusão e logo tentei coloca-la em prática.
A porta do meu quarto abre abruptamente e Tracy entra no meu quarto.
— Ali... — ela me chama com o rosto ainda sonolento, — eu queri... conversar. Sabe, sobre ontem...
— Não precisa, — eu me apressei em dizer, — vamos deixar para lá, nós realmente não precisamos voltar para aquele assunto.
Falei tentando não me lembrar da sensação de Julian tentando se forçar contra mim. Eu realmente não queria pensar naquilo.
— Eu só queria dizer que eu estava errada. — Tracy disse se recostando a parede, — eu admito que não acreditei em você por um momento e...
— E isso me machucou. — Eu disse a interrompendo outra vez.
— Eu sei. — Ela me disse e pigarreou, — e eu odeio ter te machucado, Ali.
— Eu sei, — foi minha vez de dizer, e eu sorri a puxando para mim e a abraçando.
As vezes, parecia que era disso que Tracy precisava. De um longo abraço.
Eu e Tracy nos conhecíamos desde criança e era complicado de entender ela — principalmente pela diferença exorbitante entre nossos mundos, — mas de alguma forma, eu sempre consegui chegar até ela, até o seu pequeno coração. Porem, desde a separação de Thomas, Tracy parecia transtornada.
Ela começou a “gostar” de festas glamourosas, a usar roupas cada vez mais expostas e saltos tão altos que pareciam capazes de mata-la, caso ela caísse de cima deles. (Okay, talvez essa parte seja um pouco de exagero).
Eu a vi mudar de uma hora para a outra e se tornar — não somente mais mimada e volatio — como também, completamente revoltada com tudo a sua volta. Tracy começou a explodir e culpar todos por coisas... estúpidas.
Os dias se seguiram depois daquilo, mas de alguma forma, aqueles pensamentos não saíram da minha mente. Eu evitei os cafés da manhã com Tracy e Thomas, evitei os jantares quando ele chegava a tempo para comer conosco e também evitei de levantar durante a noite para não correr o risco de encontra-lo pelo corredor ou na cozinha — como naquela noite.
— Vamos, vai ser legal! — Tracy falou pela quinta vez enquanto jogava biquinis em minha cama, — só escolha um!
— Eu não quero, — falei me recolhendo entre os lençóis, — não quero ir em uma festa na piscina com um bando de idiotas como o Julian.
— Ali! Você está exagerando! — Ela disse revirando os olhos, como se não houvesse sido nada demais e isso REALMENTE me irritou.
— Exagerando? — Eu bufei e ela me encarou, — eu acho que VOCÊ está exagerando.
— O quê?
— Isso mesmo que você ouviu! — Falei me levantando da cama, — você vem exagerando desde que seus pais divorciaram! — Eu explodi, — você mudou! Se tornou fútil e... simplesmente pirou!
— Você não pode estar falando sério, — ela disse forçando um riso.
— Eu estou falando bem sério! — Falei me aproximando dela, — Tracy, você deveria ao menos conversar comigo sobre isso!
— Eu NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO! — Ela gritou e em seus olhos, eu pude ver lágrimas que ela não queria deixar escapar. — Me deixa em paz, Alice.
— Ei... — eu a segurei pelo pulso, — está tudo bem, eu... vou.
Como um pequeno relâmpago de esperança, ela se vira e volta aos biquinis, era como uma criança que se entupia de brinquedos novos para não pensar no que a machucava.
Então, assim como ela queria, nos fomos a praia. A uma festa muito m*l planejada, com bebida demais, gritos, música alta e uns idiotas pulando de um lado para o outro. Havia tantos quase afogamentos, que pelo menos 9 salva-vidas foram designados para o lugar.
Eu suspirei com desprezo enquanto Tracy se jogava nos braços de algum i****a, o que fosse mais bonito aos olhos dela naquele momento. Até que em dado momento, simplesmente me cansei. Eu havia ficado ali por 2 horas — era mais que o suficiente —, então, me levantei e sem muita cerimonia, eu desci até a casa.
Precisava de um banho, precisava... descansar.
Suspirei quando enfim pude jogar aquele biquini preto fora e deixar meus cabelos serem agraciados pela água quente e o shampoo que ele havia aguardado tão ansiosamente, mas quando minha mente devaneou em pleno banho, foi em Thomas que pensei.
Em seu corpo escultural, em seu sorriso de canto e em como seria caso ele entrasse ali, apenas de toalha e me encarasse, me devorasse com seus olhos antes de me f***r contra o box.
Suspirei, sentindo meu corpo esquentar.
Eu não conseguia resistir a tentação, era demais para uma mera mortal como eu.
“Chega de pensamentos como esses!” Tentei me corrigir mentalmente, mas o demônio é ardiloso e quando desci as escadas após o banho, foi Thomas quem encontrei. Ali, sentado no sofá, ainda de terno. Ele havia chego do escritório, mas não havia ido para o quarto como de costume. Não. Ele estava lá, esperando.
— Alice.
Ele me chamou e meu corpo inteiro estremeceu.
— Sim?
Eu tentei responder sem deixar transparecer o quão nervosa estava, principalmente por meus olhos não desgrudarem dele. Como alguém poderia ser tão gostoso? Ele havia... ficado mais atraente nos dias em que eu não o havia encontrado? Ou era apenas o meu cérebro me pregando uma nova peça?
— Por que você está me evitando?
— Eu não estou...
Ele me interrompeu e levantou vindo em minha direção.
— Sim, você está e eu quero saber o porquê — ele me encurralou, — você não pode continuar fugindo de mim, Alice e nem deveria.
Sua mão segurou meu queixo e me fez erguer o rosto para encara-lo.
— Você sabe que eu poderia te dar tudo que você quer, não sabe?
Eu pisquei, totalmente confusa enquanto meu coração batia tão rápido que eu senti que Thomas poderia ouvi-lo.
— E-eu acho que não entendi o que-...
— Você entendeu, Alice. — Ele me encarou e por um momento, eu pensei que ele iria me beijar, mas Thomas apenas se afastou.
— Não tente me evitar, essa é uma péssima escolha de vida, querida e eu sei que você é bem mais inteligente que isso.
Ele apenas soltou e me deixou ali.
Parada.
Sozinha em uma sala vazia e com a mente a mil por hora.