Capítulo 2

1153 Palavras
As semanas passaram como um borrão de compromissos, reuniões e pesquisas, mas eu não conseguia afastar Elizabeth da minha mente. Desde aquela manhã, quando acordei e encontrei a cama vazia, uma sensação de perda inexplicável se instalou em mim. Ela havia saído sem deixar rastros, sem uma palavra de despedida. E, no entanto, eu sabia que aquela noite havia sido mais do que um encontro casual. Voltei ao bar todas as noites desde então, sentando-me na mesma mesa, observando o movimento, esperando vê-la novamente. As luzes piscantes e a música pulsante eram um pano de fundo constante para a minha busca silenciosa. Em meio a rostos desconhecidos e risadas efêmeras, meus olhos procuravam incansavelmente por ela. — Ei, Kai! — chamou um dos garçons, aproximando-se com um sorriso amigável. — Você está aqui de novo? Procurando por alguém especial? — Algo assim, — murmurei, tentando parecer despreocupado. Mas a verdade era que eu estava obcecado. Havia algo em Elizabeth, algo que puxava todas as minhas fibras, como se ela fosse uma peça que faltava em minha vida, uma peça que eu não sabia que procurava. As noites se passaram, e cada vez que a porta do bar se abria, meu coração saltava com esperança, apenas para afundar novamente quando não era ela quem entrava. Eu me refugiava em minhas lembranças daquela noite — o som de sua risada, o brilho em seus olhos, a suavidade de sua pele. Era frustrante, essa necessidade de encontrá-la, de entender o que realmente compartilhamos. Durante o dia, a busca continuava de forma diferente. Em meu escritório, uma torre de vidro que se erguia imponente sobre a cidade, passei horas mergulhado em pesquisas online. Minha equipe estava ocupada com projetos de tecnologia de ponta, mas minha mente estava em outro lugar. Usei todas as ferramentas que tinha à disposição para procurar por ela, digitando “Elizabeth” nas redes sociais, filtrando resultados, analisando perfis. — Kai, você está bem? — perguntou meu assistente, ao me ver perdido em pensamentos em frente ao computador. — Sim, só estou resolvendo algumas coisas pessoais, — respondi, tentando manter o foco no trabalho. Mas a verdade era que minha mente estava longe dali, presa em um mistério que eu precisava resolver. “Elizabeth”, “Liz”, “38 anos”, “designer de interiores” — cada pista que eu tinha era uma nova linha de pesquisa, mas nenhuma parecia levar a ela. Havia tantas Elizabeths, tantas possibilidades. O tempo passava, e minha frustração crescia. Como poderia alguém que havia me impactado tanto desaparecer sem deixar rastro? No escritório, as reuniões de negócios se tornaram um esforço de concentração. Enquanto meus parceiros discutiam estratégias de mercado e novas tecnologias, minha mente vagava. — Então, Kai, — disse um dos diretores durante uma reunião, — você tem alguma ideia sobre os próximos passos para nossa nova linha de produtos? Endireitei a postura e tentei parecer presente. — Sim, acho que devemos focar na integração da tecnologia de IA com as plataformas existentes. Isso nos dará uma vantagem competitiva significativa. A discussão seguiu, mas minha mente logo voltou para Elizabeth. Eu precisava encontrá-la, precisava entender por que ela havia partido, e o que aquela noite significava para nós dois. Naquela noite, voltei ao bar mais uma vez. A atmosfera era familiar, mas a inquietação em meu peito era nova. Sentei-me na mesma mesa, pedindo uma bebida e observando a multidão. As pessoas dançavam, riam, viviam suas vidas. Mas eu estava preso em um ciclo, uma busca sem fim por uma mulher que poderia nunca mais ver. O garçom se aproximou novamente, trazendo minha bebida. — Ainda procurando por ela? — ele perguntou, com um sorriso compreensivo. — Sim, — eu admiti, dando um gole na bebida. — Parece que estou tentando encontrar uma agulha no palheiro. — Talvez ela volte, — ele sugeriu. — Ou talvez, se for para ser, vocês se encontrem novamente de outra forma. Suas palavras me deram uma faísca de esperança. Talvez, de alguma forma, o destino nos unisse novamente. Mas, até lá, eu continuaria procurando, continuaria seguindo os ecos daquela noite. A semana passou rapidamente, e eu continuava a me dividir entre meu trabalho e minha busca. A realidade da minha vida como CEO exigia minha atenção, mas a necessidade de encontrá-la se tornava cada vez mais urgente. Certa manhã, exausto de tantas noites m*l dormidas, decidi ir além das redes sociais. Se Elizabeth era designer de interiores, poderia haver registros de seus projetos em algum lugar. Passei a vasculhar sites especializados, buscando seu nome em listas de profissionais, em artigos sobre design. Nada. A frustração só crescia. Algo dentro de mim dizia que aquela noite não havia sido comum. Havia algo mais entre nós, algo que eu não conseguia explicar, mas que se recusava a ser ignorado. Tentei focar no trabalho. Tinha uma reunião importante com investidores na manhã seguinte e precisava me preparar. Mas, quando finalmente cheguei em casa naquela noite, não consegui evitar. Peguei o celular e continuei pesquisando. A cada nova busca, sentia que estava ficando obcecado, mas não conseguia parar. Horas depois, fechei os olhos por um momento, tentando organizar meus pensamentos. Será que eu estava exagerando? Será que Elizabeth simplesmente queria que fosse apenas uma noite? Mas se fosse assim, por que parecia tão certo de que havia algo mais? No dia seguinte, uma ideia me ocorreu. O bar onde nos conhecemos. Talvez alguém lá soubesse mais sobre ela. Voltei ao bar mais cedo do que de costume e procurei o garçom com quem já tinha falado antes. — Ei, você conhece alguma Elizabeth que costuma vir aqui? Ele arqueou uma sobrancelha. — Tem várias Elizabeths por aí. Alguma coisa mais específica? — Designer de interiores, cerca de 38 anos, cabelos escuros, olhos marcantes, latina. Ela estava aqui na outra semana. Ele fez uma expressão pensativa, mas depois balançou a cabeça. — Não me lembro de ninguém assim. Minha última esperança se desfazia. Fiquei mais um tempo ali, observando o movimento, mas já não esperava muito. Talvez eu estivesse apenas me agarrando a algo que nunca deveria ter sido mais do que uma lembrança. Mas, no fundo, uma parte de mim se recusava a desistir. E então, pouco antes de sair, vi um detalhe que me fez parar. Na parede, perto da entrada do bar, havia um quadro com fotografias de clientes tiradas em noites especiais. E, entre elas, um rosto familiar. Me aproximei lentamente, meu coração acelerando. Era uma foto antiga, em preto e branco, mas eu reconhecia aqueles olhos. Elizabeth. Puxei o celular do bolso e tirei uma foto da imagem. Aquilo significava que ela já frequentava aquele lugar há algum tempo. Talvez alguém ali soubesse mais do que estava me contando. Agora, eu tinha um novo ponto de partida. Eu não sabia aonde essa busca me levaria, mas tinha certeza de uma coisa: não ia desistir.
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