Os dias que se seguiram à cerimônia foram um borrão dourado de sorrisos, beijos e abraços. Kai e eu estávamos envoltos em uma bolha de felicidade recém-selada, com o brilho dos olhos dourados ainda fresco em nossas memórias. A coroa repousava sobre minha cabeça com o peso simbólico de algo muito mais profundo que o ouro: era a história, o sangue, a promessa. E, mesmo assim, no fundo do peito, um pressentimento sussurrava que a calmaria era apenas a superfície. Que as águas ao redor estavam longe de estarem serenas. Acordei naquela manhã com o som abafado da chuva batendo contra as janelas da nossa cobertura. Kai ainda dormia, um braço pesado sobre minha cintura, o corpo quente e seguro ao meu lado. Meu peito estava colado ao dele, e o cheiro de pele, de lobo, de lar, me envolvia por comp

