A chuva caía forte naquela manhã.
Grossas gotas batiam contra os vidros enormes da mansão De Luca enquanto Heloísa limpava a grande escadaria principal. Bianca havia pedido que tudo estivesse impecável antes da reunião importante que Henrico teria naquela tarde.
E Heloísa fazia o possível para terminar rápido.
O uniforme rosado já estava levemente molhado por conta dos produtos de limpeza. Algumas mechas ruivas escapavam da trança longa enquanto ela subia cuidadosamente os degraus de mármore com um pano nas mãos.
Ela estava cansada.
Tinha dormido pouco novamente por causa da faculdade.
Mesmo assim continuava trabalhando.
Sempre.
Porque precisava daquele emprego.
As vozes masculinas ecoaram pelo corredor principal.
Henrico havia chegado.
Os funcionários imediatamente ficaram tensos.
Heloísa apenas abaixou a cabeça e continuou limpando, tentando ignorar a presença dele.
se distraiu por um estante ...
Seu pé escorregou no mármore molhado.
O balde virou. Os produtos espalharam-se pelos degraus. E o tornozelo dela dobrou violentamente quando caiu na escada.
A dor veio instantaneamente.
Forte. c***l. Insuportável.
— Ahh! — o grito escapou antes que pudesse impedir.
Os funcionários correram assustados.
Heloísa tentou levantar, mas choramingou imediatamente ao apoiar o pé.
— Não consigo… — murmurou com lágrimas enchendo os olhos.
Bianca aproximou-se desesperada.
— Meu Deus…
Um dos seguranças da mansão ajoelhou-se ao lado dela.
— Acho que torceu feio.
Ela apertou os olhos por causa da dor.
O homem então a pegou cuidadosamente nos braços.
Heloísa segurou a camisa preta dele automaticamente enquanto tentava não chorar.
— Leve ela até o escritório do chefe — Bianca ordenou nervosa. — Agora.
O segurança assentiu imediatamente.
Enquanto isso…
No escritório enorme do último andar, Henrico De Luca discutia negócios com dois homens italianos.
havia Armas espalhadas pela mesa , copos de whisky intocadas.
Henrico ouvia calmamente um dos homens falar quando a porta abriu sem aviso.
O segurança entrou carregando Heloísa nos braços.
Henrico ergueu os olhos lentamente.
E o escritório inteiro ficou em silêncio.
O olhar dele caiu imediatamente sobre ela.
Os cabelos bagunçados. As lágrimas escorrendo. As mãos pequenas agarradas na camisa do segurança.
a expressão dele mudou, Completamente.
Fria. Perigosa. Furiosa.
Ele levantou-se devagar da cadeira.
— Por que você está com ela nos braços?
A voz baixa fez o segurança engolir seco.
— Ela caiu da escada, senhor. Acho que machucou o pé.
Os olhos escuros de Henrico desceram imediatamente para o tornozelo dela.
Já inchando.
A mandíbula dele travou.
— E por que diabos ela estava limpando sozinha aquela escada enorme?
O segurança ficou imóvel.
Henrico aproximou-se lentamente.
Assustadoramente calmo.
— Me entrega ela.
O homem obedeceu na mesma hora.
Henrico tomou Heloísa dos braços dele com facilidade absurda. Forte demais. Cuidadoso demais.
Ela segurou automaticamente o paletó preto dele enquanto tentava conter a dor.
O perfume amadeirado invadiu seus sentidos imediatamente.
— Senhor… eu consigo andar…
— Não consegue.
A resposta saiu seca.
Henrico virou o rosto para o segurança.
E o olhar dele fez o homem empalidecer.
O segurança baixou imediatamente os olhos.
Henrico ignorou completamente os outros dois homens na sala ..
Virou-se e saiu do escritório carregando Heloísa nos braços enquanto eles observavam em silêncio absoluto.
Porque ninguém jamais tinha visto Henrico De Luca agir daquela forma.
Nunca.
O carro atravessava as ruas chuvosas da Itália em alta velocidade.
Heloísa estava sentada no banco do passageiro tentando segurar as lágrimas enquanto o tornozelo latejava violentamente.
Henrico dirigia em silêncio.
Tenso.
Os dedos apertavam o volante com força demais.
— Eu pedi que tivesse cuidado com as escadas. Não se lembra?
A voz grave ecoou dentro do carro.
Heloísa virou o rosto lentamente para ele.
Confusa.
— O quê?
Henrico continuou olhando para frente.
— Na biblioteca. Quando quase caiu daquela escada.
Ela arregalou levemente os olhos.
— Porque não me obedeceu?
Aquilo a pegou desprevenida.
As lágrimas escaparam sem controle.
— Eu não tive culpa… — respondeu chorando baixinho. — Eu não me machuquei porque quis…
Henrico apertou ainda mais o volante.
O maxilar travou.
Irritado.
Muito irritado.
Mas não com ela.
Com o fato dela estar machucada.
— Você deveria prestar mais atenção.
Heloísa limpou as lágrimas rapidamente.
— Não chore . vai ficar tudo bem
O coração dela tropeçou dentro do peito.
Porque aquela frase…
Não parecia vir de um homem bom.
O hospital particular estava quase vazio por causa do horário e da chuva forte.
Mesmo assim, no instante em que Henrico De Luca atravessou as portas automáticas carregando Heloísa nos braços, o ambiente inteiro pareceu parar.
As enfermeiras ficaram tensas imediatamente.
Os seguranças que acompanhavam Henrico abriram caminho sem que ele precisasse pedir. O mafioso caminhava rápido pelos corredores claros do hospital enquanto Heloísa tentava ignorar a dor no tornozelo e os olhares assustados das pessoas ao redor.
Ela nunca tinha visto alguém causar tanto medo apenas entrando em um lugar.
— Chamem um médico agora — Henrico ordenou friamente.
Uma enfermeira assentiu nervosa.
— S-sim, senhor De Luca.
Heloísa percebeu aquilo.
O medo.
Todos pareciam conhecer ele.
Henrico a colocou cuidadosamente sobre uma maca enquanto um médico se aproximava apressado.
Um senhor mais velho.
Visivelmente nervoso.
— O que aconteceu com ela?
— Caiu da escada — Henrico respondeu seco. — Resolve isso.
O médico aproximou-se do tornozelo dela cuidadosamente.
— Vou precisar examinar.
Heloísa assentiu devagar enquanto tentava controlar a vergonha de estar sendo tratada daquela forma por algo aparentemente simples.
Mas assim que o médico segurou seu pé…
Ela gemeu de dor.
Henrico mudou instantaneamente.
— Não está vendo que está machucando ela?
A voz saiu fria o suficiente para gelar o ambiente.
O médico afastou-se rapidamente.
— Eu preciso verificar se houve fratura—
— Então faça direito.
Heloísa arregalou os olhos discretamente.
O médico respirou fundo antes de voltar a examinar o tornozelo dela.
— Acho que foi apenas uma torção, mas vou pedir um raio-x para—
Quando o homem pressionou um ponto sensível do pé dela, Heloísa soltou um gemido mais forte e lágrimas encheram seus olhos novamente.
Foi o suficiente.
Henrico perdeu completamente a paciência.
Em dois passos rápidos, segurou o médico pelo pescoço contra a parede.
O hospital inteiro congelou.
— Eu mandei parar de machucar ela.
A voz dele saiu baixa.
Mortal.
O médico segurou o braço de Henrico imediatamente, assustado.
— E-eu só estou tentando examinar—
— Se ela chorar de novo por sua causa, você não sai desse hospital andando.
Heloísa perdeu completamente a cor.
Ela nunca tinha visto aquilo tão de perto.
A violência. A raiva. O perigo real naquele homem.
Os seguranças não se moveram.
Ninguém tentou impedir.
Como se todos soubessem que aquilo podia acontecer.
— senhor … — ela chamou baixinho, assustada.
Os olhos escuros dele voltaram imediatamente para ela.
E algo na expressão dela o fez soltar o médico.
O homem praticamente caiu no chão tentando recuperar o ar.
Henrico passou a mão pelos cabelos escuros claramente tentando controlar a própria raiva.
Então olhou novamente para o médico.
— Termine logo.
A ameaça estava clara.
O médico assentiu rapidamente.
Depois de alguns exames e do raio-x, veio a confirmação:
— Foi apenas uma torção no tornozelo. Ela precisará repousar por alguns dias.
Heloísa soltou o ar aliviada.
Mas Henrico permaneceu sério.
— Só isso?
O médico piscou confuso.
— Sim…
Henrico olhou novamente para o pé dela já enfaixado.
O maxilar ainda travado.
Como se aquilo não fosse suficiente para acalmar ele.
— Ela vai sentir dor? — perguntou seco.
— Um pouco nos primeiros dias.
Henrico pareceu ainda mais irritado com a resposta.
Heloísa observava tudo em silêncio absoluto.
Porque aquilo não fazia sentido.
Aquele homem assustador. Violento. Temido.
Parecia genuinamente furioso porque ela havia torcido o pé.