Na manhã seguinte Kira levantou com uma baita dor de cabeça pegou seu celular debaixo do travesseiro e desbloqueou o mesmo e ver que tem 7 ligações perdidas de seu Chefe. Ela revirou os olhos, ‘’Teria como fazer o projeto daqui? ‘’ Foi o que ela perguntou ao seu chefe ontem na ligação e as risadas dele foi tudo que ela ouviu de retorno. Caminhou até o banheiro tomando um banho longo.
Escutou um estrondo vindo da cozinha enquanto colocava a roupa e se assustou saindo do seu quarto desceu as escadas rapidamente ainda com a toalha na cabeça, se deparou com Lídia que tinha derrubado uma vasilha de vidro.
Ela empacotava seus pratos, em uma caixa de papelão, tinha outras caixas pela cozinha. Notou seus livros reunidos um por um e estante de seu pai que antes sempre estava cheia de livros dos mais variados gêneros agora estavam sem nada. Kira olhou tudo aquilo e fica sem entender.
Ela se aproximou. — Lídia, está tudo bem? por que todas essas caixas! — Juntou as sobrancelhas confusa apontando para caixas que estavam na cozinha.
— AH minha flor, eu estou empacotando as coisas para mudança! — Lídia disse pegando a vassoura para varrer os vidros que havia caído.
Ela falou em uma naturalidade como se Kira soubesse de que mudança ela estava falando.
— Mudança? Mas você vai sair dessa casa? Por que?
— Uai minha filha você e sua irmã não vão vender essa casa? Eu irei morar com a Letícia no condomínio dela.
Ela parou estática e cruzou os braços firmemente, confusa pensou ter ouvido errado. Naquele mesmo momento Letícia entrou pela porta da frente com suas filhas, ela caminhou até a cozinha.
— Feliz domingo gente linda! — Ela rio exibindo seu cabelo escovado em tons rosas. Estava parecendo quando jovem, uma adolescente de novo. — Kira como foi o sábado?
As meninas estavam ambas maquiadas e com botinhas rosas combinando. Sempre vestiam sapatos iguais, mas nunca roupas, podiam se gemeais mais tinha estilos próprios. Elas correram para abraçar Lídia, foi então que Kira puxou Leticia para conversar na sala deixando as meninas com Lídia comendo bolo na cozinha.
— Que história é essa que vamos vender essa casa? — Falou cruzando os braços olhando desconfiada para sua irmã.
— Ai Kira, deixa isso comigo ok? Até porque, porque você se importou com essa casa mesmo. — Falou jogando sua bolsa no sofá. — Infelizmente, estou precisando de dinheiro.
— Não acredito! Eu não vou te deixar vender essa casa sem me consultar, eu não assino o contrato, e fim de história! — Ela cruzou os braços. — Crescemos aqui, e eu acho que Lídia deveria ter voto também.
— É mas acontece que você já assinou. — Letícia revirou os olhos e respirou fundo. — Eu sinto muito Ki, mas precisava de dinheiro, então lembra daquele contrato do papai para o livro virar filme e acontece que...
Ela não acreditou no que acabou de ouvir, sua irmã havia a enganado de uma forma ridícula. Por que ela não leu? Sempre lia antes de ler, sua cabeça esquentou e seus punhos se fecharam.
— Não, não, não, não acredito que você faz isso comigo! — Kira gritou apontando para ela. — Mentiu para sua própria irmã, e nem me consultor, por isso aquele alvoroço todo, toda aquela agitação...
Leticia sentiu o peso da raiva de Kira só na voz e do jeito que ela se mostrava. — Me perdoa mana, nós estávamos brigadas. Eu estava com a cabeça cheia. E eu nem pensei que iria dar certo, pensei que você iria ler antes de assinar, mas ai você não leu e eu achei tudo bem afinal você iria pro Canadá mesmo...
— Você nunca pensa na minha opinião não é mesmo? — Ela levantou os olhos encarando a irmã que sentou no sofá. — Você quer dinheiro então me peça, eu ganho em dólar posso ajudar você.
Leticia abaixou a cabeça não disse uma palavra.
— Então, se eu tivesse no Canadá estaria tudo bem me enganar? Não acredito que me enganou desse jeito.
Kira endureceu suas feições, segurando a v*****e de chorar. Nunca pensou que sua irmã viraria alguém que faria isso. Seus ombros desceram em decepção, ela saiu andando até as escadas. Sua irmã subiu as escadas atrás dela.
— Olha aqui me perdoa ok? Por favor não foi na intenção de te magoar, você vai receber sua parte, e você...
— Letícia isso não é sobre o dinheiro. — Ela a encarou a irmã e respira fundo. — O problema é que você mentiu para mim. Sabe a vida toda eu cresci com as pessoas da família me criticando, dizendo a ''Quanto você parece com sua mãe'' ''Tem o temperamento forte da mãe'' ‘’Fugiu como a mãe’’ E eu sempre odiei isso, a comparação com a mulher que abandonou o marido e as duas filhas e nunca mais voltou. Cresci odiando comparar as pessoas, mas agora nesse momento, você parece mas com ela do que nunca! — Ela ergueu as sobrancelhas, e seus olhos ficam estreitos.
Entrou no quarto batendo a porta firmemente. Kira entrou em seu quarto chorado muito. Deitou na cama se encolhendo e quando m*l percebeu está tento uma crise de choro.
Ela dormiu ali, sem muitas forças não tinha comido nada, sua barriga roncou e quando se espreguiçou na cama ouviu as batidas contidas na porta de seu quarto.
— Pode entrar. — Seus olhos encararam as janelas constando que já era de noite.
Lídia sorriu já entrando devagar. Segurava uma bandeja de biscoitos com mel que sabia que a menina amava.
— Minha filha, que briga foi aquela mais cedo? Achei que tinham se acertado. — Ela disse deixando a bandeja ao lado da cama e sentando perto dela.
Kira pegou um biscoito deitando a cabeça no colo dela, desabafando contando tudo o que havia acontecido, desde da promoção, a situação com Thomas. A farsa de Leticia.
Lídia a ouviu atentamente. — É o seu pai amava essa casa sim, eu logo estranhei quando a Letícia disse que você havia concordado. — Ela respira fundo. — Bom, querida você precisa de conselhos de quem te conhece bem! Acho que já está na hora de lhe entregar isso. Seu pai deixou para você, ele disse que era para eu entregar caso você estivesse em dúvidas sobre voltar para o Canadá.
Lídia tirou do bolso entregando-lhe uma carta para Kira que limpou o rosto, ela pegou a carta meio sem acreditar que seu pai havia deixado. Mas, sabia que precisaria das palavras de seu pai agora, Lídia a deixou só em seu quarto e ela abriu.
❝Olá Abelhinha. Se está lendo isso é por que provavelmente em algum dos itens te levou até o Thomas, estou certo? De qualquer maneira, eu só queria estar aí para poder te abraçar mais uma vez. Acredito que de certa forma os meses que passou comigo não querendo tocar no assunto '' Thomas'' Foi compreensível, mas foi o que me fez ver que ainda tinha sentimento ali. E eu sabia que você evitaria qualquer tipo de contato com ele, depois da minha partida, então inventei a lista. Uma espécie de ‘’operação cúpido’’. Fazer uma tatuagem? Esse não sou eu querida, mas todos os itens remetiam a vocês. Principalmente a parte do Dj, o único dj dessa cidade é o primo do Tomas. Sabe, abelhinha eu vi esse amo nascer, crescer e se perder nas escolhas feitas pelo medo. Sim, pelo medo. Você estava assustada. Por isso correu para o Canadá. E se me permite dizer, eu entendo você, é assustador ter esse sentimento assim avassalador por alguém que quando estão juntos parece que nunca estiveram separados. É querida quando se trata de amor, sempre há um risco, e sempre há uma chance de que alguém se machuque. Mas a possibilidade de certo... Ah isso vale muito a pena. Você sempre me perguntou por que eu amava essa cidadezinha do interior, era por que Lídia era meu lar. E não importava aonde eu fosse, morasse fisicamente, ela era meu lar. Então, desde de que ela estivesse do meu lado eu estava em casa e ela era feliz em São João Basista do Glória que foi onde nos conhecemos, o que era só para ser uma viagem acabou sendo um lar de uma vida, foi onde eu achei o amor da minha vida e você o seu. Viva esse amor! O amor requer certa coragem, e eu sei que você tem. ❞
Kira arregalou os olhos, e enxuga as lágrimas com os punhos. Leu e releu várias vezes com os olhos marejados de tanto chorar, e por uns instante encarou a carta com saudades, e então refletiu. Como seu pai fazia falta, como a saudade era imensa e de como ele tinha razão.
Ele tinha razão. Todo esse tempo Kira havia focado no medo de dar errado e nessa magoa que tinha de sua mãe. Mas, ela não era sua mãe. E ela tinha um lar.
Precisava ver Thomas, e pedir perdão. Ele era seu lar, aquela paz que só sentia com ele era sinal disso. Dessa vez ela iria ficar, iria encarar seus medos com ele. Rio ao pensar que louco seu pai era ter arquitetado tudo, e ele era um genio quando se tratava de ser cúpido.
Kira levantou apressada e colocou as sandálias, no corredor ela deu um abraço forte em Lídia e foi até seu carro. Seu coração batendo forte era a adrenalina correndo solta, tentou ligar, porém ele não atendia o celular. Ligou o carro e dirigiu cheia de confiança, pois não havia mais dúvidas.