Ele tinha tirado a jaqueta e trocado a camisa manchada de sangue por uma camisa térmica preta de mangas longas, que servia perfeitamente no peitoral grande cheios de músculos e aqueles braços grossos. Seus cabelos pretos ainda estavam um pouco úmidos. Ele parecia cansado, as olheiras nos olhos, mas a postura continuava sendo a de um predador que estava sendo pressionado.
Os olhos de Kaelen passaram pelo quarto até pararem nela, encolhida na poltrona. Ele parou no meio do caminho. O pão escorregou da mão dormente de Lyra e caiu de volta no prato.
O alfa ficou completamente imóvel. Suas narinas inflaram sutilmente, sugando o ar do quarto. O dourado nos seus olhos, que tinha sumido antes, voltou na mesma hora com força, acendendo com uma luz forte inatural e esfomeada.
O eco grave daquelas duas palavras – minha luna – ainda era sentido na pele do pescoço de Lyra. O hálito quente de Kaelen Blackwood parecia um fantasma que queimava e fazia os pelos da nuca dela de arrepiar. Seu coração batia com tanta força que parecia que rasgaria. A loba inferior de Lyra choramingava, se afogando no cheiro de chuva e cedro, inebriada pela submissão exigida pelo alfa supremo.
Mas a humana, a garota que viu o seu mundo queimar a poucas horas antes, estava paralisada de terror.
Com uma lentidão torturante, Kaelen se afastou. A ausência da quentura do corpo dele deixou Lyra sem folego em busca de ar. Ela encolheu os ombros no suéter de lã grande, sentindo o ar frio bater onde antes era o espaço ocupado por ele.
Kaelen não desviou o olhar. Os olhos dele, inundado pelo dourado predatório, permaneceram fixos no rosto dela. Foi um recuo calculado. Ele deu a volta pela mesa de centro onde a bandeja de prata estava e caminhou em direção a cama gigante. Ele se moveu sem fazer nenhum som, as botas afundando no tapete como um felino.
Quando chegou na beirada do colchão, ele se sentou. As pernas longas e musculosas ficaram afastadas, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos enormes entre eles. Parecia uma postura casual, mas Lyra não era estúpida.
Lyra engoliu em seco. Ela sabia o que ele estava vendo. O cabelo platinado dela, molhado e brilhante, caindo livremente nos seus ombros. A pele rosada pelo calor do banho, limpa e livre da fuligem e de sangue. E, pior de tudo, ela estava vestida com as cores da matilha dele, banhada pelo cheiro dele, exalando o perfume de cedro e chuva que ele tinha descrito: a posse incontestável do Rei.
Kaelen deu um passo. O som da bota pesada no chão fez ela apertar os braços nos joelhos, se encolhendo no encosto da poltrona.
Ele cruzou o quarto em passos lentos, uma predação que fazia o ar do quarto se comprimir até ficar difícil de respirar. Ele não parou até as canelas dele se encostarem nos joelhos dela, o calor irradiando do corpo dele parecia um forno.
A mão grande dele desceu. Lyra fechou os olhos com força, esperando um ataque, puxão, uma prova de domínio.
Mas ele não tocou nela.
Em vez disso, Kaelen se abaixou, apoiando as mãos nos braços da poltrona, a encurralando. O rosto dele desceu até o vão do pescoço de Lyra. Ela podia sentir o calor da pele dele e o hálito dele batendo na sua garganta, mas sem nunca a tocar. o autocontrole dele se contrastava com a i********e daquilo.
O alfo respirou profundamente e de forma lenta. Seu corpo inteiro tremeu, contido.
O rosnado baixo, possessivo e cru soou do fundo de sua garganta e vibrou no sangue de Lyra, acendendo uma chave no seu ventre que a deixou mais assustada que uma ameaça de morte.
-Agora sim, - Kaelen sussurrou contra o pescoço dela, a voz arrastada pelo desejo contido, as palavras roçando pelo cabelo loiro da garota e enviando arrepios pela sua espinha. - Agora. Você cheira exatamente como deveria, minha Luna.
O eco grave daquelas duas palavras – minha luna – ainda era sentido na pele do pescoço de Lyra. O hálito quente de Kaelen Blackwood parecia um fantasma que queimava e fazia os pelos da nuca dela de arrepiar. Seu coração batia com tanta força que parecia que rasgaria. A loba inferior de Lyra choramingava, se afogando no cheiro de chuva e cedro, inebriada pela submissão exigida pelo alfa supremo.
Mas a humana, a garota que viu o seu mundo queimar a poucas horas antes, estava paralisada de terror.
Com uma lentidão torturante, Kaelen se afastou. A ausência da quentura do corpo dele deixou Lyra sem folego em busca de ar. Ela encolheu os ombros no suéter de lã grande, sentindo o ar frio bater onde antes era o espaço ocupado por ele.
Kaelen não desviou o olhar. Os olhos dele, inundado pelo dourado predatório, permaneceram fixos no rosto dela. Foi um recuo calculado. Ele deu a volta pela mesa de centro onde a bandeja de prata estava e caminhou em direção a cama gigante. Ele se moveu sem fazer nenhum som, as botas afundando no tapete como um felino.
Quando chegou na beirada do colchão, ele se sentou. As pernas longas e musculosas ficaram afastadas, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos enormes entre eles. Parecia uma postura casual, mas Lyra não era estúpida. Tinha uma tensão em cada fibra muscular aquele homem. Ele a observava do outro lado do quarto com uma intensidade que tinha um peso físico, esmagando o oxigênio ao redor dela.
-Coma.
A ordem em meio ao silêncio pesado do quarto pareceu um chicote. A voz dele era baixa, áspera que não admitia recusas.
Lyra olhou para baixo, para o prato intacto equilibrado nos seus joelhos. O cheiro de pão quentinho, carne suculenta e sopa de raízes subiu quente, fazendo seu estômago se contorcer de fome. Ela estava morrendo de fome, seu corpo estava desnutrido e esgotado. A loba dentro dela implorava para ela aceitar a oferta do parceiro, para que comesse o que o alfa tinha providenciado, selando o acordo de proteção e submissão.
O ódio por ela mesma a fez fechar os olhos. Com as mãos tremendo saindo do suéter grande demais, ela partiu um pedaço do pão.
Levar aquele pedaço até a boca exigiu um esforço horrível. Sobre o olhar dourado de Kaelen, cada movimento parecia interessante. Quando ela mordeu, a textura e o sabor amanteigado explodiram em sua língua, mas sua garganta estava apertada pelo pânico que foi difícil de engolir. Ela mastigou automaticamente, o som da sua própria respiração foi alto nos seus ouvidos. Cada vez que ela engolia, ela sentia que ele acompanhava o movimento com os olhos.
Ele estava aproveitando a rendição dela. Aproveitando a quebra do orgulho com a necessidade mais básica de sobrevivência.
Ela conseguiu dar três mordidas no pão e engolir duas colheres de sopa antes que o nó na sua garganta piorasse. Ela abaixou a colher de prata.
O silêncio reinou novamente, quebrado apenas pelas brasas enormes estalando na lareira de pedra à direita deles.
Lyra apertou as mãos sobre o colo, cravando as unhas nas palmas até sentir a pele quase rasgar. Ela precisava falar. Se ficasse em silêncio por mais um minuto, sua mente quebraria por completo.
-Por que... - a voz dela saiu fina, rouca e patética. Ela limpou a garganta, se forçando a erguer o queixo, embora não conseguisse sustentar o contato visual com ele. - O que você vai fazer comigo?
A expressão de Kaelen não mudou. Nenhuma empatia suavizou as linhas duras de seu rosto. Ele inclinou a cabeça para o lado, a avaliando.
-Eu não fui claro o suficiente lá embaixo, naquela vila patética? - Ele perguntou, com um tom perigosamente calmo.
-Eu sou uma curandeira, - Lyra insistiu, a respiração acelerando, as palavras saindo atropelados tentando fazer sentido naquele pesadelo ilógico. - Eu não tenho status. Eu não carrego sangue nobre. A lua de prata me tratava como um rato do alojamento. Por que você me trouxe para cá? Se queria destruir Thorne, você já fez isso. Se queria troféus de guerra, as filhas do alfa valeriam muito mais. Por que eu, Kaelen?
O som do próprio nome dele saindo dos lábios tremidos da garota fez um espasmo violento na mandíbula do alfa. As narinas dele inflaram, sugando o ar várias vezes, se deliciando do cheiro do medo dela que agora estava misturado com o perfume de cedro que estava impregnado na sua pele.
-As filhas de Thorne estão apodrecendo junto com o resto daquele lixo debaixo da neve, - ele respondeu com uma frieza que fez o sangue de Lyra congelar nas veias. Não tinha ostentação na voz dele, apenas a constatação de um fato. - Você acha que eu varri aquele território do mapa por política, Lyra? Você acha que eu marchei com meu exército para o sul atrás de ouro ou terras de ômegas fracos?
Ele se levantou. Foi um movimento lento, mas Lyra se encolheu de forma instintiva no encosto da poltrona. Kaelen não caminhou em direção a ela, mas a visão da sua altura imponente dominando o quarto era uma lembrança da sua fraqueza física.
-Eu queimei a lua de prata até o chão porque o vento do sul trouxe o seu cheiro para as minhas fronteiras há três semanas, - ele confessou, a voz diminuindo para um rosnado territorial e sombrio que reverberou pelo chão de pedra debaixo dos pés dela. - Seu alfa escondeu os desertores, sim, mas esse foi apenas um pretexto. Eu teria rasgado a garganta de cada macho e fêmea daquela matilha, um por um, só para chegar até aquele porão onde você estava se escondendo.
O ar sumiu dos pulmões de Lyra. O choque a deixou tonta. Três semanas. Ele estava caçando ela há semanas, farejando o ar como um demônio com fome atrás de um eco da sua existência. Toda guerra, o m******e, a destruição de sua casa... tudo tinha sido por ela. A loba interior dela ronronou alto diante daquela enorme declaração de posse, mas a mente de Lyra estava horrorizada.
-Você é um monstro. - Ela sussurrou, as lágrimas finalmente caindo, escorrendo pelas bochechas limpas. - Eu sou sua prisioneira. Uma refém de um psicopata.
Kaelen deu um passo. Dois. Parou no centro do tapete, a poucos metros de distância, a aura de autoridade criando ondas quase visíveis.