Episódio 3

1471 Palavras
Erika tinha se vestido e caminhava ao lado de James, começando a acariciar seu torso nu. A imagem diante de seus olhos nunca se apagaria de sua mente. — E por que agora? Por que depois de dez anos você me confessa tudo isso? Perdi toda a minha juventude ao seu lado e é assim que você me paga. Ela quis soar ameaçadora, mas um gemido cortou sua voz. James não se abalou, mas olhou com olhos amorosos para a irmã e murmurou. — Aquele velho m*aldito finalmente foi para o outro mundo e as cláusulas são modificáveis após a morte dele. Ele explicou com ódio contido. — Agora eu tenho o controle para fazer e desfazer como eu quero que seja o meu casamento. Os dois requisitos ainda estão lá, mas posso me dar ao luxo de trocar de esposa. Elisa riu incréd*ula. Finalmente, ela compreendeu que lugar ela ocupava em seu coração: nenhum. Nem como casal, nem como mulher, nem como esposa, nem como mãe da filha dele. Seu marido era um homem tão implacável. — Você vai me abandonar. Concluiu Elisa. — A mim e à sua filha. Depois de dedicar a minha vida a você, você me deixa porque não sirvo mais para você. São um par de escórias... um par de sem-vergonhas. As lágrimas caíam sem piedade. Era uma mulher que não conseguia controlar os seus soluços, nem mesmo diante dessas pessoas detestáveis. — Tão sensível como sempre. Zombou James. — Calma. Não faça tanto escândalo. Quanto mais rápido você assimilar, mais rápido processaremos o divórcio. — E a minha filha? O que vai ser da minha filha? Ela não pode crescer sem um pai. — Sua filha, sua filha. Sim, é só sua, eu nunca quis nada de você. Aí está a sua recompensa. Você não queria ser mãe? Crie ela sozinha. Ele olhou para ela com dureza. — Além disso, fiquei sabendo de uma boa notícia recentemente. Ele disse sorrindo. Elisa viu a sua irmã acariciando carinhosamente a barriga ainda lisa. — Irmãzinha, já estou esperando um filho dele. Um filho dele. Ela carregava um filho do meu marido. A minha irmã... grávida de James. As palavras repetiam-se na sua cabeça como um eco cr*uel, cada vez mais forte, mais insuportável. Por mais que tentasse processá-lo, sua mente se recusava a aceitá-lo. Como ele poderia fazer isso? Como uma ferida tão profunda não a matou naquele mesmo instante? Ela tinha acabado de descobrir que sua vida inteira havia sido uma mentira cuidadosamente disfarçada. Que o casamento deles não havia sido construído sobre o amor, mas sobre traições e verdades escondidas. Ela não era uma esposa, ela só tinha sido uma peça no jogo dele. Uma mulher usada, descartada, humilhada... com o único propósito de servi-lo, até que não fosse mais útil para ele. James nunca a amou. Nunca a tinha respeitado. Seu coração sempre esteve preso entre os braços de Erika. Desde o primeiro dia, o seu destino estava escrito e condenado. E agora, aquele veneno que a consumia, que agora ela carregava dentro de si. Essa dor, essa traição, cresceriam junto com sua filha. Como eles podiam chegar a esses extremos? Como podiam, com tanta calma, tirar-lhe tudo e depois olhá-la como se ela fosse a intrusa? Ela estava grávida! O sangue escorreu-lhe do rosto e a instabilidade das pernas quase o fez tropeçar. Sentia-se tão fraco e febril ao mesmo tempo, como se a raiva e a dor estivessem lhe roubando a vitalidade. — Um filho? Ela perguntou ainda incrédula. — É verdade isso? Como você pode olhar para mim e dizer isso na minha cara? Erika, não achei que você fosse tão descarada. Não só você se meteu com o meu marido, como também está grávida! Seus olhos escuros não conseguiam parar de olhar para o abdômen de Erika, como se isso pudesse apagar a evidência da traição contra ela. Uma traição irreparável. Erika esfregou o abdômen com um sorriso lânguido, quase com ternura, mas seus olhos destilavam triunfo. — Claro que é verdade. Ela disse com leveza, como se fosse um simples fato cotidiano. — É o que acontece quando você divide a cama com seu parceiro todas as noites e ela não tem problemas com o corpo, ao contrário de você. Sua voz era mel envenenado, cheia de triunfo, aprofundando suas dores mais profundas. — Seu parceiro. Ela repetiu incrédula. Elisa não era uma mulher que sofria de acessos de raiva nem que torcia com energia. Mas, aparentemente, essa personalidade permitiu que essas pessoas se aproveitassem dela e a tratassem dessa maneira. Por isso, agora, sentia. Sentia demais. O bom e o r**m passaram por sua mente quando seu olhar se levantou para Erika e James. É minha culpa, confiei demais neles. — Sim, meu parceiro. Não ouviu, irmãzinha? Muito em breve serei a esposa que deveria ter sido desde o início. Pronto, esta casa será completamente minha... e você, junto com sua filha bastarda, acabarão na rua. Essa última frase foi um golpe direto no coração. As lágrimas que queimavam suas bochechas pararam de repente, como se a dor tivesse sido substituída por fogo líquido em suas veias. Elisa podia suportar ser traída, ser apontada com desprezo, ser humilhada diante de seus próprios olhos. Podia engolir a amargura até se afogar nela. Podia perder tudo. Mas não permitiria que tocassem em sua filha. Não podia permitir que falassem assim do seu bebê. Suas mãos tremiam, não de medo, mas de uma fúria que crescia como uma tempestade. — Não ouse chamá-la assim! Ela cuspiu com indignação. Erika m*al teve tempo de piscar antes que Elisa desse um passo em sua direção. O impulso foi tão rápido que nem a raiva conseguiu avisar o próprio corpo do que estava fazendo. Sua mão se ergueu com a intenção de apagar aquele sorriso com uma única surra. Mas ela nunca chegou. Porque a sensação de ardor e dor chegou à sua bochecha de forma súbita. Seu corpo cambaleou para trás, caindo de joelhos no chão frio. A força do soco ainda ressoava em sua pele. — Basta! Ele rosnou, com a voz carregada de fúria contida. — Você não vai tocá-la! Elisa o olhou do chão, com a respiração entrecortada, o gosto metálico do sangue na boca e uma incredulidade tão grande que por um segundo a deixou sem palavras. Seu marido tinha batido nela por causa dela. — Você me bate para defendê-la? Ela perguntou com a voz embargada. Erika a olhava com uma expressão de espanto e o corpo escondido atrás do homem, como se ela tivesse medo de suas ações. — James! Acho que a minha irmã enlouqueceu. — Eu não sou mais sua irmã, e você não é mais nada meu! Gritou Elisa com a dor da cabeça aos pés, ainda disposta a se aproximar de Erika. Isso não tinha solução. Mas, antes, James agarrou-a pelo braço com uma força brutal e levantou-a quase a arrastar. — Vá para longe! Não posso permitir que você machuque minha mulher! Ele berrou, empurrando-a para o corredor. — Ela é mesmo sua mulher, não é? E o que eu fui por dez anos? Ah? O que eu fui aos teus olhos?! Não sou eu sua mulher? Você não deveria proteger a mim e sua filha? Por que você me machuca? Por que você está me abandonando? Ela questionou. As lágrimas embaçavam seu olhar escurecido pela traição. — Você é um m*aldito ingrato, igual a ela. Elisa foi empurrada para fora do quarto e riu. — Sim, no final, vocês são tal e qual. Ela chorou derrotada. Seu empurrão a fez recuar cambaleando, e cada passo a aproximava mais das escadas. — Guarde suas lamentações, Elisa. Nunca serviram diante de mim. Ele disse, enojado. — Isso não vai ficar assim, James. Sua família e minha família vão saber da humilhação que você me fez. Ela murmurou. Então, ele explodiu. — Eles concordam, Elisa. Eles já sabem disso. Ele respondeu e a verdade a atingiu diretamente. — É você quem deve ir! Vá embora! O próximo empurrão foi tão forte que o ar escapou de seus pulmões. Seus calcanhares bateram na borda do primeiro degrau e ela sentiu a vertigem na boca do estômago. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍ ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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