Os gemidos eram ouvidos do primeiro andar.
— Ah! Mais rápido, mais rápido. Sim! Ai! Ah!
Elisa parou na porta da casa. Atrapada pelo próprio medo, ela ficou paralisada na entrada.
Tinha medo de enfrentar o que já suspeitava.
Isso é impossível. Ela pensou.
Mas as respostas eram óbvias demais.
O seu marido estava tendo um caso com outra pessoa.
O casal de amantes parecia pensar que não havia nenhum convidado na casa, por isso não se continham em seu encontro se*xual escandaloso.
— Não pode ser. Murmurou a mulher, ainda em choque por ter descoberto o marido fazendo se*xo com outra.
— Você faz isso tão bem, nhg! Gritou uma voz familiar. — É assim que você faz com ela também?
— Claro que não! Rosnou o marido. — Você acha que eu a toco? Desde que ela ficou grávida, ela está um lixo.
— Sempre foi bastante desleixada... Ofegou a mulher enquanto os sons de pele contra pele se intensificavam. — Agora ela usa a gravidez como desculpa... hum, sim, não pare de se mexer aí...
— Pare de falar dela! Ou o meu te&são vai acabar. Ele apressou-se em calar a mulher. E ela voltou a profanar gemidos e suspiros.
— Você tem razão! Beije-me, ame-me mais. Go*ze em mim. Ela gemeu com paixão.
Elisa não conseguia se mover. O frio a atravessava, embora fosse primavera.
Por que você fez isso comigo?
Por que vocês dois fizeram isso?!
— Na minha cama... Ela sussurrou com a voz embargada.
Elisa tinha dito ao marido que iria para a casa dos pais no fim de semana. Afinal, era o aniversário dela e ele tinha uma viagem de negócios durante a semana inteira. Para não completar trinta e seis anos sozinha, preferiu passar com a sua família em casa.
No entanto, ao chegar, percebeu que sua família havia ido para uma viagem rápida ao exterior. Elisa encontrou apenas o mordomo. Ele nem mesmo a deixou entrar e, apesar das quatro horas que ela dedicou na viagem, a despachou de volta.
Enquanto o motorista a levava de volta, ela ligou para o marido, mas ele não atendeu. Queria passar suas últimas horas de aniversário com uma ligação sua e, acima de tudo, contar-lhe com grande felicidade que os resultados do exame tinham saído bem e que estavam esperando uma menina.
Sua filha.
A filha que eu tanto desejei.
A notícia foi ofuscada por essa descoberta cr*uel. Elisa ainda estava em estado de choque.
— Vai deixá-la, não vai? Disse a outra mulher. — Você só pode amar a mim.
— Que ciumenta você é, meu amor. Sempre te amei. Ele respondeu com uma doçura que Elisa não ouvia há anos.
— Você não me respondeu. Ela reclamou com um bico.
— Claro, meu amor. Ele não hesitou em responder. — Você sempre foi o amor da minha vida.
Outro pedaço do seu coração caiu no chão. Sentiu que o pisoteavam e o rachavam à força.
Já chega.
Como eles puderam traí-la assim?
Na cama onde durmo.
Na casa onde moro.
Com o meu marido.
Com o pai da minha filha.
Os tremores não a abandonaram em nenhum momento. Se ela fosse menos covarde e um pouco mais impulsiva, já teria quebrado tudo em seu caminho, aberto a porta, arrastado aqueles dois pelo chão e já os teria expulsado da sua casa.
Mas ela era uma mulher covarde.
Ela m*al tinha forças para abrir a porta do próprio quarto.
— Já chega. Ela murmurou ao encontrar a porta entreaberta e vê-los revirando-se em seus lençóis. Definitivamente, eram eles.
Sua invisibilidade era tão absoluta que nem mesmo a notaram no início. Continuavam naquela tarefa horrível que ela era obrigada a ver.
A acreditar.
Para eles, Elisa tinha se tornado uma coisa insignificante, uma pessoa que não deviam levar em conta, nem mesmo quando lhe tinham partido o coração.
Era tão insignificante...
— Já chega! Ela gritou finalmente, tirando forças do fundo da sua miséria. Sua voz quebrou no final.
Ambos pararam.
— Elisa? O que você está fazendo aqui? O seu marido se levantou com a pressa de cobrir sua terrível nudez com a roupa jogada no chão. — Pensei que estaria com a sua família.
— Voltei porque não tinha ninguém em casa. Ela murmurou, completamente chocada.
A mulher na cama cobriu o rosto, mas já era tarde. Elisa a tinha reconhecido.
Sim. Era ela.
— Não sabia, querida. Poderia ter avisado... Não é o que você está pensando. Ele tentou dizer com uma cara arrependida. O mesmo rosto que ela amara por dez anos.
— Está dizendo que é minha culpa? Ela perguntou, com a indignação queimando-lhe a pele. Ela tinha um nó na garganta que não o permitia falar mais alto.
— Não, claro que não. Deixe-me explicar e você saberá que o que aconteceu hoje foi um completo erro. Posso explicar...
— O que você vai explicar? Você não estava dormindo com ela? Que a mulher na minha cama não é minha irmã? Meu próprio sangue! Ela finalmente, levantou a voz.
O coração de Elisa estourou em pedaços.
E não tinha como concertar.