Capítulo 03

1419 Palavras
Duda narrando — vem cá minha linda, esse é o meu filho, charles — a Cleo me chama e eu pisco umas três vezes voltando a mim e começo a descer as escadas sentindo as minhas pernas bambas — fala oi, garoto — ela belisca ele que continuava me encarando igual o maníaco do parque — cheguei, p***a cheguei — uma menina entra quase caindo no corredor da casa toda esbaforida — c*****o ela parece uma boneca mesmo — ela fala e já vem na minha direção quando eu paro na frente do charles — mona, tu saiu de que desenho de princesa ? Meu deus — ela fala e já vem me abraçando mas eu só sentia o olhar dele sobre mim — eu sou Helena, você é ? — ela me pergunta e eu balanço a cabeça tentando tirar a imagem dele da minha frente — Duda, prazer — eu falo tentando sorrir pra ela, mas era mais difícil do que se parece mesmo ela sendo a simpatia em pessoa — Duda, essa é a Helena, como ela já disse — a Cléo fala rindo e a Helena cutuca o charles que não parava de me analisar e já estava começando a me deixar incomodada — ela e o charles trabalham juntos e você ainda vai conhecer o Léo que trabalha com eles também e só me dão dores de cabeça, por favor não se junte muito com eles — ela fala tentando ser divertida e realmente era, e eu concordo sem jeito e olho pra ela que me olhava com um sorriso tão sereno que eu me sentia m*l por não conseguir corresponder — da pra parar de falar meu nome toda hora, coroa, sabe que não pode…— ele fala puto e que voz A voz dele era grossa, firme, e ao mesmo tempo não assava medo, e sim respeito, não sei, era uma firmeza diferente de agressividade — ela é sua irmã, garoto, você sabe que eu não te chamo por vulgo — ela responde e eu vejo a arma na sua cintura e reparo nele Sem camisa, lotado de tatuagens, o abdômen mais marcado que eu já vi na minha vida, cabelo bem cortado e o cheiro dele… o cheiro dele exalava na casa inteira, era uma coisa que preenchia todo o ambiente, não parecia o garotinho que tinha espalhado nas fotos pela casa que eu tinha visto — satisfacao — ele estica a mão pra mim e eu engulo seco ao ver sua mão grande na minha frente e aquela postura de relaxado e ao mesmo tempo todo posturado, como se ele soubesse exatamente o efeito que causasse — Eduarda — eu digo sem ousadia ou sorrisos já que ele também estava de expressão fechada me analisando Quando aperto a mão dele parecia que tinha uma corrente elétrica correndo entre nós e ele solta rapidamente mas sem quebrar o contato visual comigo que parecia me ler inteira — aí ele tem sempre essa cara de cu mesmo tá, se assusta não que hoje ele ainda tá um doce — a Helena fala e já puxa me abraçando — tio lindo da minha vida, o mais gato desse morro, com todo respeito tia — a Helena grita e me puxa pra uma parte da casa que eu ainda não tinha ido — oh minha filha, eu estou fazendo um churrasquinho pra gente almoçar, a Cléo fez comida também, mas eu sei que você não está em clima de comemoração, mas eu amo fazer churrasco e apesar de tudo, eu estou muito feliz de você estar aqui — meu pai fala com um pano de prato no ombro, os olhos inchados de quem tinha chorado também, mas não dava pra negar a felicidade que havia no olhar dele Ele e a Cléo parecem ótimas pessoas e isso só me deixa mais atordoada, porque eu não sei o motivo da minha mãe ter me privado disso e me colocado numa jaula, sendo que apesar das armas, e de toda a segurança, eu não sentir que estou em perigo aqui, pelo contrário, eu me sinto bem aqui, eu me sinto segura, eu tô me sentindo acolhida num dia que eu pensei que iria passar sozinha chorando debaixo das cobertas, e isso me apavorava de uma forma que eu não conseguia nem descrever. Porque ao mesmo tempo que eu me sentia negligenciando a morte da minha mãe, como se eu tivesse ignorando o que está acontecendo na minha vida, eu também, por outro lado, me sentia em paz em estar recebendo tanto amor, principalmente do meu pai, a pessoa que eu esperei por anos conhecer… — tá tudo bem, pai… — quando eu falo isso ele larga tudo e vem me abraçar — eu realmente queria e sempre quis te ter por perto, eu sempre quis que você me conhecesse, pudesse ter contato comigo, mas era maior que eu, se eu desrespeitasse a vontade da sua mãe eu poderia nunca mais te ver, ou talvez não nessa situação, não livre, mas eu nunca quis que isso fosse em cima desse momento que você está passando — ele fala sincero e eu concordo e ele dá um beijo na minha testa e se afasta um pouco secando as lágrimas que caiam do seu rosto — esse é o charles, ele é meu filho do coração — ele fala e eu já entendo que então ele não me trocou, ou eu não fui fruto de traição, já que o charles era mais velho que eu aparentemente — eu criei ele depois que o seu pai faleceu, e estou com a Cléo há quase 10 anos — ele fala e eu fico um pouco confusa de como foi toda a história mas apenas concordo vendo que o charles não parava de me encarar enquanto estava sentado fumando um cigarro do lado da churrasqueira — e eu sou a filha adotada, mas agora perdi o título de mais gata da casa — a Helena fala e arranca risada de todos com a sua espontaneidade — essa Helena ninguém merece…— meu pai fala rindo e vira a carne que estava na grelha — e um prazer conhecer todos vocês, me desculpem não conseguir retribuir toda essa alegria e recepção de vocês, hoje é um dia muito difícil, e eu quero conhecer todos vocês, mas a minha cabeça tá latejando, eu só realmente quero comer algo e dormir porque eu tô a quase dois dias virada vivendo um verdadeiro inferno — eu desabafo com eles porque não seria justo eles me tratando tão bem e eu com cara de cu pra todo mundo — fica tranquila minha linda — a Cléo para do meu lado e eu só sentia aquele olhar, aquele peso em cima de mim de uma forma que me deixava constrangida mesmo que eu não retribuísse seu olhar — eu nunca vou querer tomar o lugar da sua mãe, mas aqui você tem uma amiga, e eu tô aqui para o que você precisar, sempre…— ela fala e eu confirmo suspirando e prendendo o meu cabelo sentindo um calor absurdo correr pelo meu corpo — toma filha, come um pouco, você precisa se alimentar — o meu pai me entrega um prato pronto com carnes e comida e eu olho pra me sentar em algum lugar e por ironia ou não, o único lugar livre era do lado do dono do par de olhos que não parava de me encarar… Eu me sentei do lado dele quase prendendo a respiração vendo ele por um segundo distraído no celular e eu começo a comer sentindo até enjoo. Eu nem lembro a última vez que fiz uma refeição, parecia que meu estômago estava fechado mesmo que eu estivesse morrendo de fome — aí — sinto uma mão quente e grossa na minha perna e olho pra ele na mesma hora sentindo meu corpo tremer por dentro — eu sinto muito, não vou falar que entendo a tua dor porque eu não senti p***a nenhuma quando o meu falecido lá morreu, mas eu sinto muito por você … — ele fala e dá maior apertão na minha perna e se levanta sem esperar eu responder nada Eu tento focar na comida de dono, ou na conversa que eles estavam ali tentando me colocar também, mas era como se eu ainda sentisse o calor da sua mão na minha coxa me apertando e seus olhos me encarando a todo segundo naquela casa
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