O apartamento estava mergulhado em silêncio quando Marcos saiu do quarto. A luz amarelada da cozinha fazia sombras nas paredes, e Bianca ainda estava no banho. O som da água correndo era constante, quase hipnótico. Ele se encostou no batente da porta, observando o reflexo dela meio embaçado no espelho. Ela cantava baixinho uma música antiga da Rita Lee. Era nesses momentos que ele se perdia nela. Natural. Autêntica. Linda. Dona de um coração que ainda não era dele por completo. Mas ele queria que fosse. Marcos passou a mão pelos cabelos, inquieto. Fazia dois meses desde que tinham começado a namorar, e mesmo com as mudanças — largar a prostituição, o novo emprego como fotógrafo da loja, a relação com a família dela em Minas — havia uma sombra constante entre eles. E essa sombra tinha nom

