Por Bianca
Eu não sabia mais o que fazer com o que estava dentro de mim.
Era como se, a cada dia, eu carregasse não apenas o peso do meu corpo, mas também o peso das minhas inseguranças.
Olhei para o espelho mais uma vez, tentando encontrar alguma forma de me sentir bem com o que via. Mas a imagem que refletia de volta era a mesma de sempre: uma mulher que nunca estava à altura do que esperava de si mesma.
Era difícil ser eu mesma. Era difícil, principalmente, quando as palavras de Pedro ainda estavam ecoando na minha cabeça. Ele me amava. Ele sempre me amou. E, em algum lugar, eu sabia que, se ele estivesse me dizendo a verdade, isso mudava tudo. Mas ao mesmo tempo, não conseguia me livrar da sensação de que eu não merecia esse amor.
Eu me sentia inadequada.
Meu corpo… meu corpo não me representava. Não era o corpo que eu imaginava me ver, nem o corpo que eu gostaria de ver. Ele me lembrava todos os dias da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma doença que me afetava de maneiras que poucas pessoas conseguiam entender. A SOP mexia com o meu equilíbrio hormonal, com o meu ciclo, com minha pele e, principalmente, com o meu peso. Eu ganhava peso com facilidade, mesmo tentando controlar o que comia, e, por mais que eu tentasse, nunca parecia ser suficiente. A sensação de estar lutando contra o meu próprio corpo era exaustiva.
Eu olhava para as outras mulheres, aquelas que conseguiam usar as roupas mais justas, que pareciam ter a vida sob controle, e sentia uma tristeza profunda. Eu queria ser assim. Queria sentir que poderia ser desejada, sem precisar esconder minha insegurança. Mas, ao invés disso, eu me sentia invisível. Como se o meu corpo, com seus defeitos e marcas, me impedisse de viver o amor que eu tanto desejava.
E Pedro, ele me amava, mas será que ele me amava por quem eu realmente sou, ou por quem ele imaginava que eu fosse? Será que ele veria o que eu via no espelho e ainda assim sentiria o mesmo? Ou ele também tinha os seus próprios preconceitos? Eu tinha medo de ser rejeitada por algo que não podia mudar.
Eu sabia que ele tinha o direito de me escolher, mas será que ele me escolheria de verdade, sabendo tudo o que eu carregava?
E, por outro lado, havia Marcos.
Marcos, com seu jeito enigmático e atraente. Eu não sabia o que ele queria de mim, mas a maneira como ele olhava para mim me fazia sentir que, talvez, eu fosse mais do que apenas a "gordinha" da turma. Ele não parecia se importar com as minhas inseguranças. Ele me olhava como se me quisesse inteira, e, por algum motivo, isso me assustava e me atraía ao mesmo tempo.
Eu me sentia perdida. Era como se uma parte de mim quisesse abrir o coração para Pedro, e a outra estivesse tentada a seguir Marcos, porque ele representava um desejo, uma emoção nova que eu não sabia como lidar.
Eu não sabia o que fazer. Não sabia qual caminho seguir.
A verdade era que eu estava cheia de dúvidas. Duvidava do meu corpo, duvidava do meu valor, duvidava do meu amor. E isso, esse medo de não ser suficiente, me impedia de viver o que estava diante de mim.
Eu só queria ser amada, mas o que eu não sabia era que, talvez, antes de ser amada por alguém, eu precisasse aprender a me amar.