O ar da manhã respirava mais gelado naquele dia, como se o frio decidisse permanecer um pouco mais do que deveria. Claire ajeitou o cachecol ao redor do pescoço — aquele que Malena lhe dera no último Natal, com um sorriso e um "Para você não reclamar do vento" — e os passos ecoaram no piso brilhante do hospital, insistentes, como uma despedida que ela não sabia como fazer. A imagem da mãe, deitada com o olhar perdido e os traços cada vez mais frágeis, ardia atrás das pálpebras, um eco que não se calava. Ela não chorou. Não havia mais espaço para lágrimas — ou talvez apenas não houvesse mais utilidade nelas. Pegou um ônibus de volta ao seu pequeno apartamento e passou o trajeto olhando pela janela, acompanhando distraída o desenho das árvores despidas de folhas. Tudo parecia mais pálido na

