Saymon entrou na cobertura como sempre entrava em qualquer lugar: calmo, controlado, dono do próprio passo. Deixou o casaco sobre o sofá e a mala no canto da sala, sem pressa, como se cada movimento fosse parte de uma rotina que ele já havia ensaiado mil vezes. A viagem tinha sido curta — apenas dois dias em uma das propriedades da família fora da cidade — mas suficiente para fechar negócios, selar acordos e ouvir promessas vazias. Nada novo. Nada cansativo. Apenas mais uma etapa vencida. Ele caminhou até a janela e parou ali, olhando a cidade despontar sob o céu limpo da tarde. O skyline era familiar, quase reconfortante. Mas seus pensamentos estavam longe. Estavam nela. Claire. Nas noites que não conseguia esquecer, nos olhares que diziam mais que palavras, nas tensões que pareciam pul

