Claire permanecia imóvel no limiar da suíte, os dedos crispados nas laterais do vestido, o coração pulsando com força, como se pudesse escapar de seu peito a qualquer instante. Cada batida era um tambor inquieto que ecoava em seus ouvidos, uma melodia crua de antecipação. Ela sabia o que a esperava ali dentro. E ele também sabia. Saymon sempre soube. Do outro lado do cômodo, Saymon a observava com olhos azuis — profundos como o abismo noturno, inquietos como um oceano à beira da tempestade intensos e calculistas, como se pudesse ler cada pensamento que ela tentava sufocar. Não havia espaço para mentiras na presença dele. Seu corpo era uma oferenda, sua hesitação, uma resposta muda. A tensão entre os dois preenchia o ar com uma densidade quase sufocante — pesada, elétrica, uma promessa de

