🥀 Capítulo 21🥀

1996 Palavras
Hannah Brooks Apanho o taco de beisebol do chão e caminho lentamente até Ryan. Um pouco de sangue escorre do canto da boca dele enquanto ele tenta, de forma patética, se levantar. O esforço é inútil, o corpo não responde, e aquilo é quase… vergonhoso de assistir. — Aonde você pensa que vai, amor? — digo, sorrindo abertamente, como se aquilo fosse apenas uma conversa banal. — Acha mesmo que eu terminei? Inclino o taco no ombro, observando cada tentativa falha dele de se recompor, cada respiração pesada, cada olhar carregado de medo. — A noite é uma criança, vida… e a brincadeira nem começou ainda. Sem esperar resposta, viro as costas e caminho até a mesa no canto do quarto, onde o violão dele está repousado como um troféu ridículo. Passo os dedos pelo instrumento por um segundo, quase em falso apreço, antes de abrir a gaveta ao lado e encontrar uma tesoura. — Hannah… não… por favor… — a voz dele sai arrastada, quebrada, desesperada. Reviro os olhos, completamente indiferente. — Eu sei, amor. Você pagou caro nisso aqui, né? Mais de mil dólares, especial, insubstituível… — dou de ombros, encaixando a tesoura entre as cordas. — Não é problema meu. Corto a primeira corda. O som agudo vibra no ar. Depois outra. E mais uma. Vou cortando uma por uma, sem pressa, saboreando cada pequeno estalo metálico que preenche o silêncio entre os pedidos desesperados dele. Quando termino, o violão parece mais leve nas minhas mãos, mais frágil… mais fácil de quebrar. Me viro devagar. Ryan arregala os olhos no instante em que percebe. Ergo o violão. Da mesma forma que fiz com o taco. E sorrio. E antes que ele pudesse protestar, eu bati. O som do violão se chocando contra o ombro dele veio oco, seco, pesado — um impacto que pareceu reverberar pelo quarto inteiro, misturado ao grito de dor que rasgou o ar logo em seguida. O corpo dele cedeu ao golpe, curvando-se de forma patética, e por um segundo eu apenas observei. Céus… como aquilo era satisfatório. Ergui o violão novamente sem hesitar e bati de novo. E de novo. E mais uma vez. Ele gritava, tentando se proteger como podia, levantando os braços em uma defesa inútil, enquanto eu descarregava cada grama de raiva acumulada nos últimos meses. Não havia ritmo, não havia técnica — era pura força bruta, desorganizada, caótica, alimentada por tudo que eu engoli em silêncio por tempo demais. O violão acertava onde desse. Pernas. Braços. Costelas — especialmente nas costelas já machucadas, arrancando gritos ainda mais altos, mais desesperados. E, ironicamente, isso só tornava tudo melhor. Cada reação dele era combustível. Engraçado… eu nunca fui a favor da violência. Mas, naquele momento, parecia a única coisa que fazia sentido. Eu bati com tanta vontade que, quando finalmente parei, o que restava em minhas mãos já não era mais um violão — era só uma carcaça quebrada, inútil, jogada de lado como tudo que ele representava. De um lado, os restos do instrumento. Do outro, meu ex-noivo, jogado no chão, gemendo de dor, m*l conseguindo respirar. E, p***a… a cena era quase hilária. Solto um riso baixo, passando a mão pelo rosto antes de me espreguiçar, alongando os braços como se tivesse acabado um treino qualquer. O esforço físico pesa, mas a leveza que vem depois compensa. Meus olhos percorrem o quarto lentamente, analisando o caos… até perceber. Amelie não está mais ali. Deixo escapar um riso curto, já imaginando. Com a porta trancada, ela não deve ter ido muito longe — a não ser que tenha resolvido se jogar pela janela, o que, sinceramente, não seria a pior ideia que ela já teve. Apanho o taco de beisebol novamente e caminho para fora do quarto, encontrando exatamente o que eu esperava. Na sala, Amelie ainda está enrolada no lençol, desesperada, tremendo enquanto tenta abrir a porta com as chaves de Ryan — que ela provavelmente achou jogadas por ali. As mãos dela falham, escorregam, a pressa atrapalha. É quase patético assistir. Cinco segundos. Talvez dez. É o tempo que ela leva para finalmente conseguir abrir a porta. E é exatamente o tempo que eu preciso. Me aproximo rápido, sem dar espaço para reação, e agarro seus cabelos com força, puxando sua cabeça para trás de forma brusca. — Indo embora sem se despedir, maninha? — digo, a voz carregada de um sarcasmo frio enquanto ela grita ao sentir o puxão. — Que f**o… Inclino o rosto levemente, aproximando minha boca do ouvido dela. — Mas já que você quer assim… eu te ajudo a sair. E eu arrasto. Sem pensar duas vezes, puxo ela pelos cabelos para fora do apartamento, ignorando completamente os gritos, os pedidos, o desespero que ecoa pelo corredor enquanto ela tropeça nos próprios pés. O corpo dela m*l acompanha o movimento, mas isso não me faz parar. Nada me faz parar. As portas começam a se abrir. Primeiro uma. Depois outra. Vizinhos aparecem, alguns assustados, outros curiosos — e, claro, sempre tem aqueles que já surgem com o celular na mão, prontos para transformar aquilo em espetáculo. Eu vejo. Eu percebo. E eu não me importo. Amelie se debate tanto que o lençol acaba escorregando, caindo, deixando-a completamente exposta — exatamente como veio ao mundo. Os gritos dela ficam mais altos, mais desesperados, mas isso não muda absolutamente nada. Toda humilhação ainda é pouco. Comparado a tudo que eu engoli ao longo da vida… isso aqui não chega nem perto. Cada insulto, cada comparação, cada namorado roubado na época da escola. Ryan não foi o primeiro. Só foi o mais sério. A gota final. E eu cansei. Cansei de ser a irmã compreensiva, a boazinha, a que abaixa a cabeça e segue em frente. Arrasto ela escada abaixo, degrau por degrau, sem pressa, enquanto os gritos ecoam pelo prédio inteiro. A cada andar, mais portas se abrem, mais rostos surgem, mais celulares são erguidos. O espetáculo cresce. E ela… ela é a atração principal. Quando finalmente atravessamos as portas de vidro do prédio, o vento frio da noite de Toronto nos atinge de uma vez, cortando a pele, trazendo um contraste quase c***l com o calor da raiva que ainda ferve dentro de mim. Arrasto Amelie até o meio da rua, onde seus gritos agora se espalham livremente, chamando ainda mais atenção. Mais gente. Mais olhos. Mais plateia. Paro. Finalmente paro. — Você queria um palco, irmãzinha… — digo, sorrindo, a voz baixa, mas firme o suficiente para atravessar o burburinho ao redor. — Então pronto. Inclino levemente a cabeça, observando a cena como quem admira uma obra finalizada. — Com direito à plateia. Solto os cabelos dela com um empurrão seco, fazendo seu corpo cambalear alguns passos para frente. O desespero toma conta de Amelie de forma quase imediata, as mãos tremendo enquanto ela tenta, sem sucesso, se cobrir, se esconder, desaparecer. Mas não há para onde ir. Não mais. — Filmem à vontade. — digo, fria, erguendo um pouco o queixo enquanto lanço o olhar para todos ao redor. — Essa v*******a é minha irmã. Minha voz corta o burburinho com facilidade. — Eu acabei de chegar do trabalho, cansada pra c*****o depois de um dia exaustivo… só pra encontrar ela na cama com o meu noivo. — continuo, cada palavra carregada de um peso que eu faço questão de deixar claro. — Depois de tudo que eu fiz por ela… TUDO… ela teve a audácia de dormir com ele e ainda tentar me humilhar. Puxo o ar devagar, sentindo o peito subir e descer, forçando qualquer resto de tremor a desaparecer antes de voltar minha atenção exclusivamente para ela. — E aí? — pergunto, inclinando levemente a cabeça, um sorriso sincero — quase leve — surgindo nos meus lábios. — Como é provar do próprio veneno, maninha? O silêncio dura pouco. O som de aplausos corta o ar. Alto. Ritmado. Inesperado. Minha atenção se desloca automaticamente, assim como a de todos ao redor. Os rostos curiosos se abrem, criando um pequeno corredor improvisado, e é então que eu vejo. Sterling. Parado à beira da multidão, os olhos azuis fixos em mim com uma intensidade sufocante, quase palpável. Há algo naquele olhar… algo que não combina com o caos ao redor. Algo frio. Calculista. Fascinado. Meu coração falha por um segundo. Só um. Ele começa a andar na minha direção, abrindo espaço entre as pessoas com uma facilidade absurda, como um predador atravessando um bando que simplesmente… cede. E todos cedem. — Você foi brilhante, garota. — ele diz ao parar na minha frente, a voz rouca, baixa demais para o cenário, mas ainda assim perfeitamente audível. Os olhos dele não saem dos meus. — Simplesmente brilhante. Engulo seco, mas sustento o olhar. — Eu fui… — confirmo, quase automática, sentindo um estranho orgulho se instalar no meu peito. E isso… isso é perigoso. — Onde está o traidor? — ele pergunta, e há um desprezo tão claro na forma como ele se refere a Ryan que chega a ser quase físico. — Lá em cima… — respondo, sem desviar os olhos. — Apanhou demais pra conseguir levantar sozinho. Um canto dos lábios dele se ergue, satisfeito. — Estou orgulhoso de você. As palavras são simples. Diretas. E ainda assim fazem meu estômago revirar de um jeito estranho. Ele então desvia o olhar para a multidão ao redor, um sorriso de puro escárnio surgindo nos lábios. — Dou dez mil dólares… — começa, a voz firme, cortando qualquer som ao redor. — pra quem tiver a gentileza de subir lá em cima e arrastar aquele traidor pra fora. Uma pausa. O olhar dele volta brevemente para mim. — Claramente a senhorita Brooks é delicada demais pra uma tarefa tão… desagradável. O silêncio que se segue é quase cômico. Até que alguém aceita. Um homem qualquer, hesitante, mas claramente tentado. Ainda assim, ele exige o pagamento primeiro. Erro. Ou talvez não. Porque Sterling não hesita. Ele simplesmente se vira na direção onde seu carro está estacionado — e é aí que eu percebo. Logo atrás, uma Mercedes preta que definitivamente não estava ali antes. Ele faz um leve gesto com a mão. E as portas se abrem. Dois homens descem. Seguranças. O tipo de presença que não precisa dizer nada pra ser intimidante. Cada um carrega uma maleta. Eles param ao lado dele e, ao mesmo tempo, abrem as duas. Dinheiro. Muito dinheiro. Mais do que eu já vi em toda a minha vida reunido em um só lugar. Um dos seguranças pega um maço e joga na direção do homem que se ofereceu. Ele pega, ainda atônito, como se estivesse tentando entender se aquilo é real. Outros dois se aproximam. Também querem. Também recebem. Simples assim. Meu olhar volta para Sterling, completamente atônita agora, porque sinceramente… quem c*****o sai distribuindo dinheiro assim? Ele não parece nem um pouco preocupado. Pelo contrário. Volta a me encarar com aquela intensidade perturbadora. — Onde está o seu celular? — pergunta, direto. — No… no meu bolso… — respondo, pela primeira vez um pouco sem jeito. — E sua mochila? Seus documentos? — Meus documentos estão em casa… no apartamento que eu divido com uma colega de trabalho. A mochila… tá lá em cima, na sala do— Ele não me deixa terminar. Nem sequer olha pra mim quando dá a ordem. Um dos seguranças já se move em direção ao prédio. E o pior não é isso. O pior é perceber que ele sabia exatamente qual era o apartamento. Meu estômago revira de novo. — Vamos embora. — ele diz, simples, mas com um tom que não abre espaço para discussão. A mão dele repousa nas minhas costas, firme, guiando, conduzindo como se fosse a coisa mais natural do mundo. E, por algum motivo que eu não consigo explicar… Eu vou. Sem protestar. Sem questionar. Porque, sinceramente… Essa é, sem a menor dúvida, a noite mais insana da minha vida.
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