13 – Hellen narrando Eu me sento no colchão duro do barraco, o mesmo onde, horas antes, fui chamada de “comparsa” em rede nacional. O ar ali dentro é pesado, abafado, com cheiro de cigarro e maconha queimando no cômodo ao lado. Mas não é isso que me sufoca. É a realidade que caiu sobre mim com o peso de um trem desgovernado. Minhas mãos tremem quando apoio os cotovelos nos joelhos e esfrego o rosto. Meus pensamentos giram em círculos, tentando encontrar uma brecha de lógica, um fio de esperança que me diga que isso tudo é só um delírio, um pesadelo. Mas não é. É real. Estou foragida. Advogada de carreira arruinada. “Parceira do tráfico”, como disse a repórter com aquele tom de escárnio, de quem se sente moralmente superior. O celular começa a vibrar no bolso da calça jeans rasgada. Quan

