Capítulo — Juliana O ar da manhã estava pesado, carregado de uma umidade que grudava na pele como se o morro inteiro estivesse suando. Eu não tinha dormido direito, e não era só por causa do calor abafado que se infiltrava pelas paredes finas. Era a ansiedade. A sensação de que alguma coisa estava para acontecer. Mateus me olhava de um jeito estranho desde ontem, como se carregasse um segredo grande demais para o peito dele. Sempre que eu tentava puxar assunto, ele desviava o olhar e mudava de assunto, o que só me deixava mais desconfiada. — Quer café? — perguntei, tentando soar casual. — Não. — Ele respondeu rápido demais, a voz baixa, quase inaudível. — Vou sair. O barulho da porta se fechando ecoou na cozinha, e eu fiquei parada, com a xícara na mão, olhando para o nada. Um frio su

