Eu sempre curti ficar na parte mais alta do Jacarezinho, era meu ponto de paz, meu canto de respiro… se é que um cara como eu tem direito a esse tipo de coisa depois de tudo que viveu, mas mesmo assim eu ainda vinha aqui, tem com a Jéssica eu vinha, só sozinho mesmo, para pensar em tudo, como estou fazendo agora. Fico aqui, parado, olhando essa imensidão de barraco, viela, telhado novo e antena torta. Tudo cinza, tudo feio, mas tudo meu. Tudo que eu jurei proteger desde moleque. Acendo um, trago fundo. A fumaça entra queimando, descendo rasgando o peito, e por um momento parece que acalma o inferno que ainda lateja dentro de mim. Três anos. Três anos mofando numa cela onde até respirar parecia pecado. Três anos carregando nas costas cicatrizes que nem as tatuagens conseguiram esconde

