Eu escutei cada palavra que saiu da boca da Talita como se fosse uma lâmina sendo cravada lentamente dentro do meu peito. Não era só o que ela dizia, era o que aquilo despertava em mim. Cada detalhe, cada lembrança, cada nome. Juiz Baltazar. Delegada Joana. Era como se o passado, que eu pensei ter enterrado junto com a dor, resolvesse ressurgir com força, com fúria, com sede de justiça. Enquanto ela falava da família, das agressões, das humilhações, da prisão dentro da própria casa, eu sentia meus punhos se fecharem sem que eu percebesse. A vontade que me consumia era simples e brutal: acabar com aquele juiz, acabar com aquela delegada, fazer eles pagarem por cada lágrima que aquela menina derramou, por cada trauma que carregava nos olhos. Mas o que me desestabilizou de verdade não foi s

