Eu estava na boca, como quase todas as noites, tentando fingir que o barulho das motos, o vai e vem dos vapores e o cheiro de pólvora eram suficientes para calar o tumulto que sempre existiu dentro de mim. Cobra estava encostado no muro, sério como sempre, e Nerde mexia em algum aparelho que só ele entendia, com aquele ar distraído que enganava quem não conhecia o perigo que ele era. O rádio chiou. — Serpente entrou num carro e subiu o morro agora. Meu olhar foi direto para o Cobra. — Estranho essa hora — ele murmurou já pegando o celular. Mas antes mesmo que ele discasse, o meu começou a vibrar no bolso. Quando vi o nome na tela, senti meu coração errar o ritmo. Paty. A mulher que eu amei e machuquei. A menina que virou mulher longe de mim. O erro que nunca me saiu da cabeça. Aten

